Li Nos cumes do desespero, do Cioran

Publicado 08/01/2014 por felipe
Categorias: literatura

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“Tenho mais estima pelo homem de desejos contrariados, desgraçado no amor e desesperançoso, do que pelo sábio gélido, de uma impassibilidade orgulhosa e repugnante. Não consigo conceber um mundo mais antipático do que um mundo de sábios.”

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“Um tal fogo interior me queima e me agitam tormentas tão grandes, que me espanta não explodir de uma vez com esse mundo, num estouro apocalíptico. Sinto como o mundo inteiro treme junto comigo, como arrepios abissais me invadem e como uma exaltação de fim de mundo me domina. Quero que o mundo seja atirado ao ar pela sua própria fatalidade, por uma loucura imanente, contínua e profunda, por um demonismo intrínseco e abandonado, que tudo estremeça como se diante do Juízo Final, que giremos, alucinados, diante da agonia definitiva, da agonia última do universo. Que nada mais encontre razão em si próprio, que tudo se transforme, de súbito, em Nada. E que sorvamos o Nada, presos no turbilhão demoníaco dos instantes derradeiros.”

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Li Exercícios de admiração, do Cioran

Publicado 08/01/2014 por felipe
Categorias: literatura

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“Os que aderem a um partido pensam se distinguir dos que seguem outro, enquanto todos, desde o momento que escolhem, no fundo se assemelham, participam de uma mesma natureza e se distinguem apenas em aparência, pela máscara que assumem. (. . .) Cada um de nós deve optar por uma não realidade, por um erro, convencidos dele à força, como doentes (. . .) nossas adesões são como sintomas alarmantes.”

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“É o que acontece com as próprias ideias: quanto mais forem formuladas, explícitas, mais sua eficácia diminuirá. Uma ideia clara é uma ideia sem futuro.”

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“(. . .) todas as doutrinas de ação e de combate, com seu aparato e seus esquemas, foram inventadas para dar boa consciência aos homens, para permitir que se odiassem… dignamente, sem cerimônia nem remorso.”

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Sobre o conservador Joseph de Maistre: “Seu pensamento certamente está vivo, mas somente na medida em que choca ou desconcerta; quanto mais o frequentamos, mais pensamos nas delícias do ceticismo ou na urgência de uma apologia da heresia.”

Lendo A dance with dragons, do George R. R. Martin

Publicado 19/02/2013 por felipe
Categorias: literatura

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“Haggon was weak, afraid of his own power. He died weeping and alone when I ripped his second life from him.” Varamyr had devoured his heart himself. “He taught me much and more, and the last thing I learned from him was the taste of human flesh.” (p. 4)

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The elk went where he would, regardless of the wishes of Meera and Jojen on his back. Mostly he stayed beneath the trees, but where the shore curved away westward he would take the more direct path across the frozen lake, shouldering through snowdrifts taller than Bran as the ice cracked underneath his hooves. Out there the wind was stronger, a cold north wind that howled across the lake, knifed through their layers of wool and leather, and set them all to shivering. When it blew into their faces, it would drive the snow into their eyes and leave them as good as blind.

Hours passed in silence. Ahead, shadows began to steal between the trees, the long fingers of dusk. Dark came early this far north. Bran had come to dread that. Each day seemed shorter than the last, and where the days were cold the nights were bitter cruel. (p. 70)

Saldo do ano – filmes

Publicado 15/12/2012 por felipe
Categorias: filmes

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Se estivéssemos nos anos 90, ainda teria certa parcela falando mal, mas seria conhecido e apreciado por outra parcela. Falo do mumblecore, gênero de cinema independente do começo dos anos 2000, mas caracterizado por um naturalismo que não víamos nos filmes indie da década de 90. São filmes mais toscos e mais fáceis de odiar, mas eu não quis odiar, e gostei dos que vi. São REAIS, mais reais que a realidade. Verossimilhança além dos limites. Poucas vezes vi isso. De lá saíram algumas personalidades com importância crescente no cenário atual do cinema “alternativo pop” (inventei).

(Vi pouquíssimos filmes esse ano, então não vai ter listinha. Drive e X-men: first class se destacaram para mim, mas vi com atraso, foram filmes que entraram em tops de 2011.)

Quem são as pessoas importantes que vieram do mumblecore? (Atenção: os filmes citados abaixo não são mumblecore, exceto o último citado)

Ti West, autor da obra-prima House of the devil (fez também The innkeepers (lega) e um segmento de V/H/S (não vi)).

Os irmãos Duplass, que tem feito belas comédias com tom de drama e um sentimento indie que as diferencia de filmes como The hangover, por exemplo, ou mesmo de Judd Apatow e dos nosso conhecidos de uns anos atrás Ben Stiller, Will Ferrell e tal. Vejam Cyrus, Jeff who lives at home, The do-deca-pentathlon. Um dos irmãos – Mark – atua. Tipo em Safety not guaranteed, com a nova musinha Aubrey Plaza.

Greta Gerwig. Atriz, roteirista, diretora. Participou do House of the devil. Agora todos vocês conhecem, do filme do Woody Allen, que desperdiçou exageradamente o talento dela. É a namorada do grande Noah Baumbach (bróder do Wes Anderson), que a dirigiu no maravilhoso Greenberg. Ela é a amiga da Natalie Portman naquele filme Sexo sem compromisso. Personagem querida e interpretação ultraverossímil. Esteve no remake de Arthur, o milionário e em Damsels in distress, do cult Whit Stillman. Atuou em e coescreveu The dish and the spoon, filme da Alison Bagnall (coautora do clássico Buffalo 66, do Vincent Gallo). É a principal estrela do mumblecore, além de ter escrito e dirigido um dos filmes do gênero: Nights and weekends. Um filme, como todo o mumblecore, do tipo ame ou odeie. Falatório sem fim, naturalismo extremo, a realidade exposta direto no olho de quem vê. Nem os 48 frames por segundo do Hobbit ficam tão reais.

Frances Ha, do Noah Baumbach, está para sair. Greta Gerwig está nele e escreveu junto.

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Li Mãos de cavalo, do Daniel Galera

Publicado 02/12/2012 por felipe
Categorias: literatura

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“Eu não sabia exatamente o que tava acontecendo, é claro, mas até hoje eu me lembro bem e agora sei que aquilo era sexual. Quando eu era pequeninha eu adorava assistir o Spectreman. Era fascinada. Era alguma coisa com o rosto dele. Aquela cara dura e séria, que era feita de metal, acho. Aquelas lutas com os monstros, ele apanhava, e no final soltava uns raios e vencia, mas a cara era sempre a mesma. Eu ficava excitada. Como ele podia ser tão impassível? Não tinha certeza se aquele rosto era mesmo o rosto do Spectreman ou se por trás da máscara tinha outro rosto. De qualquer forma, eu ficava hipnotizada, e me dava uma coisa, uma ansiedade. Se o rosto dele não mexia ele não devia ter emoções, mas eu sempre sabia quando o Spectreman tava triste, ou com raiva, ou sentindo dor. Era como se só eu soubesse. Eu tinha uma ligação especial com ele.” (p. 145)

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Li Barba ensopada de sangue, do Daniel Galera

Publicado 28/11/2012 por felipe
Categorias: literatura

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Li A feast for crows, do George R. R. Martin

Publicado 21/11/2012 por felipe
Categorias: literatura

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His headlong charge brought him right onto her point, and Oathkeeper punched through cloth and mail and leather and more cloth, deep into his bowels and out his back, rasping as it scraped along his spine. His axe fell from limp fingers, and the two of them slammed together, Brienne’s face smashed up against the dog’s headhelm. She felt the cold wet metal against her cheek. Rain ran down the steel in rivers, and when the lightning flashed again she saw pain and fear and rank disbelief through the eye slits. “Sapphires”, she whispered at him, as she gave her blade a hard twist that made him shudder. His weight sagged heavily against her, and all at once it was a corpse that she embraced, there in the black rain. She stepped back and let him fall… (p. 796)

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