ETIQUETA É COISA DE ROUPA, e eu corto fora.

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Regras de etiqueta são uma das coisas que eu mais desprezo e que mais me irritam. No FANTÁSTICO tem um quadro sobre isso, com a abobada da “Glorinha” Kalil, que fica cagando regras arbitrárias de comportamento em sociedade. Mas isso não importa.

Muito embora as regras de etiqueta e seus defensores já sejam ridículos por si sós, sem necessidade de alguém para mostrar seu absurdo, é sempre bom ver argumentos e a razoável tiração de sarro. É o que acontece no episódio de BULLSHIT! que eu vi ontem, no FX. O programa é apresentado pela dupla Penn & Teller, uns caras que eu conhecia vagamente, de ver nesses programas de mágica que rolam na televisão. O cabeludo fala fala, o carequinha é mudo e sempre se ferrava no final das apresentações, que consistiam em ilusionismo com conteúdo macabro, sangue, membros decepados…

No Bullshit! não tem mágica, o esquema é desmistificar. Já vi eles acabarem com a imagem de santinho do Gandhi e da Madre Tereza; detonarem com o bom-mocismo dos escoteiros; mandarem tomar no cu os teóricos da conspiração sobre o 11 de setembro; ridicularizarem criptozoólogos (aquela gente que se dedica a encontrar provas da existência do pé-grande, do chupa-cabra, do monstro do lago Ness e outras criaturas do mesmo nível). As boas maneiras foram a bola da vez no episódio de ontem.

Isso porque saiu uma pesquisa dizendo que os americanos eram grossos. O programa se ateve a características dos EUA, obviamente, mas como trata de regras de etiqueta, e porque me convém, se aplica na generalidade. Alternando entre relatos de um professor universitário especialista em boas maneiras (anti-neurose), de uma professora de etiqueta que ganha 20mil pratas/aula (pró-neurose é pouco), de uma stripper (boas maneiras relativas) e de um imbecil com um casaco com ombreiras à Didi Mocó (neurótico total), os caras cagam em cima da rigidez sem sentido das tais regras de como se comportar em sociedade.

Enquanto Penn falava, sentado a uma mesa no estúdio, puto da cara, Teller divertia as outras pessoas que estavam ali, fazendo truques com o guardanapo, os talheres e a comida. “Teller é sempre um convidado indispensável em jantares, porque ele AGRADA os outros. Ser educado é ser AGRADÁVEL.” E a velha professora de etiqueta detonava, rudemente, constrangendo os alunos que cometiam o pecado capital de lamber discretamente a ponta do dedo suja de molho (um porco nojento, imagina! eu certamente escolheria ficar com um guardanapo sujo de molho na mão, sem saber direito o que fazer com ele, muito melhor), ou de fazer um movimento 4cm mais aberto para tirar o cabelo da cara em vez de comê-lo (ela mostra como se faz. é igual, só que devagariiinho, para não assustar ninguém). Mão no bolso?? Ih, o cara aí, anti-social, não está aberto a cumprimentar os outros. Deixe pelo menos o dedão para fora do bolso (!?). Diz Penn: “Se essa cadela terminar logo a taça de vinho e começar a se tocar por baixo da mesa, talvez consiga relaxar um pouco.”

A stripper também conhece regras. Ou melhor, quem freqüenta o estabelecimento onde ela trabalha. A regra é simples e evita que o cara tome uma surra e seja expulso do lugar: não tocar. Ponto. Não jogar moedas, respeitando a puta, que é puta, mas é gente, ora. Parece fazer mais sentido.

O melhor era o cara com casaco Didi Mocó. Ele escreveu um livro sobre os grossos, os COW (Center Of the World), segundo ele. Ele sai na rua, acompanhado por um câmera, e começa a destilar sua irritação com toda e qualquer irregularidade: taxista estacionado no meio-fio (EU estou na calçada, é o meu espaço!), mulher falando no celular (será que ela é tão importante assim? ela precisa falar no telefone agora? está invadindo o meu espaço sonoro!), entre tantas outras que não lembro agora. O cara é um reclamão que aponta o dedo e fala na cara das pessoas o que elas estão fazendo de errado. Boas maneiras pra caralho.

Pro final, deixei o professor universitário, que diz que as regras de boa educação (lá nos EUA, pelo menos) remontam à Era Vitoriana (uma época de grande putaria, como a gente sabe), quando não se abria o casaco na presença de mulheres (porque não se tomava muito banho) e demonstrar conhecimentos das regras de etiqueta era uma maneira de ter status e conservar a oh, honra. Ele fala também que o americano médio não é grosso porra nenhuma, que isso é tudo neura de gente que acha que uma criança de 2 anos tem que se comportar como nenhum adulto se comporta.

E é isso aí, porra. Vai cuidar como eu me comporto num restaurtante? Tome no meio do cu, filho da puta, boas maneiras é não olhar pra mesa dos outros e não ficar cuidando do jeito que cada um come. Não pode cortar macarrão? O caralho que não pode. Só porque dá pra comer inteiro, dando-se “um jeitinho”. Pau no seu cu. Alface se come inteiro, maktub, Allah Hu Akbar!! Gente grossa, não respeitam ninguém, cortando alface, cortando lasanha com faca. Eu sei que é molinho e dá pra cortar com o garfo mesmo, caralho, mas e daí?! Como NÃO PODE??

Vai te cagá, tudo isso pra chegar e dizer “Ah, bem-casado eu pego uns quatro! Dois nas mãos e dois na bolsa ihihihihih”. Filha da puta.

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3 Comentários em “ETIQUETA É COISA DE ROUPA, e eu corto fora.”

  1. Dora Says:

    HAHAHAHAHAHAHAHAH… puta merda felipe… morri de rir no final desse post e concordo com tudo que foi dito. Não gosto de etiqueta na vida real, por que acho um troço fútl pra caralho,… entre etiqueta e respeito eu prefiro respeito mesmo. Não enchendo o meu saco, tá valendo,… Então acho que pensamos parecido. Eu tô pra escrever no meu blog algo sobre etiqueta pra blogs, mas ando com uma preguiça do caramba… Não tô pensando em escrever algo extenso, mas na verdade não tem muito mistério mesmo. É simplesmente não copiar coisa dos outros sem dar crédito (algo que acho escroto pra caralho!).. Enfim… Um dia eu escrevo.

  2. felipeta Says:

    podicrer, tudo tem limite. baixar música de graça e ctrl+c ctrl+v é uma coisa; mentir/omitir autoria é outra, ridícula.


  3. […] escrever esse post) é ficar cagando regra pros outros. Cheguei a essa conclusão ontem, quando li um post no blog do Felipeta que me fez morrer de rir e concordar com tudo praticamente. Acredito que o mundo virtual é […]


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