ASSALTO à CULTURA

Lá por volta de 2000, aqui em Porto Alegre, rolou uma febre de Hakim Bey/TAZ, Debord/Sociedade do Espetáculo, Situacionismo e Assalto à Cultura. A Conrad faturou uma nota vendendo livros que nem direito autoral tinham, que foram escritos pra livre distribuição e não pra ganhar dinheiro. Até palestra sobre Luther Blissett (na época, lúter blissê) e afins rolou por aqui.

Era o supra-sumo da contracultura para as mentes jovens de então, um casamento perfeito entre o consumismo prático e o anticonsumismo teórico. Para uma geração que não teve o Maio de 68, nem nada próximo dele, foi massa, deu pra brincar de vanguarda; por alguns anos toda aquela festa de idéias anti regeu (???) as ações e os pensamentos meus e dos meus amigos. Seguranças do campus da PUCRS em alerta por causa de dois caras de máscara que circulavam lendo poesia; orelhas de coelho; máscaras de nós mesmos; idas à missa com câmera escondida. Livre de qualquer julgamento, é só um fato: anos antes da modinha aceita das flash mobs.

A fase passou, o que tinha que ficar daquilo tudo ficou.

Recapitulei esses fatos porque desde o ano passado estou ouvindo bastante neofolk. Esse gênero musical causa controvérsia por sua predileção pelo eurocentrismo, exaltação das tradições (pagãs, no caso) civilizações antigas, império romano, nacionalismo e toda esse lance que a gente sabe onde termina, tomando como base o julgamento do senso comum: racismo, nazismo, preconceitos em geral.

Na minha época de transição do rock pro black metal, nas reuniões na casa do Pinga, ouvíamos Laibach, tínhamos a estética nazista (não só ela, mas toda a idéia de estética totalitária) como uma referência nos nossos pensamentos, muito embora não tenhamos feito nada exclusiva e diretamente baseados nela. O ponto é: lançar mão do totalitarismo, da opressão, da vilania conceitual concomitantemente com toda a parafernália ideológica libertária, anti-senso comum era algo que tínhamos como legítimo.

Assim, retorno ao neofolk. Um dos expoentes é o gordinho Tony Wakeford (info no link, não falarei dele). Acontece que o Stewart Home, autor do Assalto à Cultura, anda detonando com afinco o velho Tony, por conta do passado nazi do cara. Tá se dedicando muito, como se sua vida dependesse disso, até me deu vergonha. No começo do ano, Tony Wakeford colocou uma mensagem em seu site, desistindo de discutir.

Que ripongagem desse Stewart Home, tá sabendo? Brincar de esquerdinha, de louquinho pode; de direitinha não. Qual é o caso, pô?

Anúncios
Explore posts in the same categories: arte e cultura, música

4 Comentários em “ASSALTO à CULTURA”

  1. Dora Says:

    Pra você ver… que merda né? E neofolk é legal, já ouvi algumas coisas, mas não tenho saco pra ficar ouvindo isso o tempo todo não. Até agora só conheço o clássico Death In June e o Sol Invictus, já ouviu falar? Coisa boa.

  2. felipeta Says:

    iés, conheço sim. e prefiro sol invictus à DIJ. vou ali no teu blog sugerir um outro clássico: current 93.

  3. Ricardo Says:

    que lixo de texto… o final não faz o menor sentido.

  4. felipeta Says:

    oh 😦


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: