Glauco Mattoso

Minha influência principal na época em que eu escrevia poemas sobre merda. Vai um dele:

SONETO 112 OBSTIPADO

Prisão de ventre é um drama não descrito
em prosa ou poesia, desde Homero.
Por isso meter meu bedelho quero
no bojo deste tão tácito mito.

Quem tem seu intestino assim constrito
defeca sob esforço tão severo
que rompe internamente o tubo “entero”
para externar um “copro” que é já “lito”.

Cagada semanal ou quinzenal
é como um parto sem anestesia
em que o bebê não quer nascer normal.

Enquanto a tripa inchada se alivia,
o pobre constipado lê o jornal,
absorto na seção de economia.

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2 Comentários em “Glauco Mattoso”

  1. felipeta Says:

    rompe internamente o tubo “entero”
    para externar um “copro” que é já “lito”.

    Cagada semanal ou quinzenal
    é como um parto sem anestesia
    em que o bebê não quer nascer normal.

    esses versos são os que mais me agradam.


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