Vou filmar essa merda, claro.

E por falar em STROSZEK, fui dar uma pesquisada na vida do BRUNO S.

bruno-s-on-17.jpg

Não que eu precisasse, já faz tempo que sei de onde ele surgiu*, mas porque queria reencontrar o site onde encontrei a foto aí de cima. Na época (uns 2 meses atrás eheheh) eu nem sabia que o Bruno S. ainda vivia, menos ainda que ele pintava e continuava tocando. Não achei o site…

Em compensação, achei uma outra entrevista do Herzog, agora falando especificamente sobre a cena que matou o Ian Curtis e quase matou a mim. Encontrei aqui o trecho que postarei. É de um blog lusitano. A entrevista completa, a quem interessar possa, está originalmente nesse site, em inglês.

A cena da qual tanto falo consiste em uma galinha dançando. Segue a entrevista (grifos meus):

Werner Herzog: (…)É como o fim de Stroszek, por exemplo, com a galinha dançante. Mas, na altura, a equipa técnica ou quase todos nas filmagens odiaram o filme de tal forma que por fim o director de fotografia se recusou a filmá-lo (ao plano) e disse: “Vamos almoçar agora, se queres filmar essa merda.” E eu disse: “Vou filmar esta merda, claro”. E tentei dizer-lhes. “Não percebem que há algo muito muito grande aqui?” E ninguém o via. Era mesmo grande. Ainda é uma das melhores coisas que filmei na minha vida.

Offscreen: É um dos finais mais bonitos de um filme…

Werner Herzog: Até a equipa que eu paguei e que me era leal entrou em greve.

Offscreen: Estava a cena no guião [roteiro] inicialmente?

Werner Herzog: Não me lembro. Acho que estava no guião. Sim! Acho mesmo que estava no guião. Mas não tenho a certeza absoluta, devia dar uma vista de olhos no guião.

Offscreen: E uma coisa sobre essa cena é uma rara ocorrência de montagem intercalada de diferentes coisas que ocorrem simultaneamente, de Bruno nas montanhas aos animais (galinhas, patos, coelhos) dançando e tocando música e para o camião a arder andando aos círculos lá fora. Normalmente, as suas cenas são segmentos bastante largos, passados num local, numa situação, frequentemente tomadas longas…

Werner Herzog: Sim, mas os animais dançam ainda algum tempo, portanto agarramo-nos a isso. O problema era que as galinhas não dançavam mais do que 15 segundos e depois retiravam-se. Colocamo-las em treino especial para que dançassem tanto quanto pudessem. Quando se punha uma moeda na máquina, a música tocava e a galinha dançava. Como recompensa recebia algum milho. Estavam acostumadas a dançar entre 3 a 5 segundos. Mantive-as em treino por uns par de meses para que dançassem tanto quanto pudessem. Mas só dançavam durante 15 segundos. O problema é que não me conseguia safar com um final que fosse um plano de 15 segundos. Tinha bastantes planos desses e tive que os juntar. Ficava sempre um jump cut. Portanto, também havia razões técnicas por trás disso. Muitas vezes não é uma ideologia ou algo parecido que está por trás de alguma coisa. »

Genial.

______________________________

*Bruno Schleinstein (e não Stroszek, como li por aí) nasceu de uma puta e foi rejeitado. Apanhava quando era criança. Passou por diversos hospitais psiquiátricos. Músico autodidata, toca acordeão, piano e glockenspiel. Pelo que eu entendi, ele foi tema de um documentário, o que atraiu a atenção do Herzog, que escreveu Stroszek especialmente pra ele, depois de o ter trocado pelo Klaus Kinski, no filme Woyczek. Antes de Stroszek, ele atuou n’O Enigma de Kaspar Hauser, que deve ser o filme mais famoso do Herzog.

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2 Comentários em “Vou filmar essa merda, claro.”

  1. julinha Says:

    uu-úu-uu-úu…

    dance galinjazycja!!

  2. joao carlos Says:

    grande bruno s .o kaspar hauser rest in peace


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