Eu sou meu pastor (De Niro, pela última vez)

(A última, pelo menos por um tempo, eu acho.)

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O BOM PASTOR. É o segundo longa que o De Niro dirigiu. Antes ele tinha feito o Desafio no Bronx, que também é legalzinho.

Espionagem e contra-espionagem, paranóia, sociedades secretas e a CIA surgindo. Duas horas e quarenta minutos sem ação, madrugada adentro, eu e meu pai. Homens vendo filme de homem.

Não tenho opinião sobre a estória, nem sobre a CIA, nem sobre detalhes técnicos do filme, e isso nem vem ao caso; simplesmente gostei de ver o filme. Um sorriso interno se abriu lá pelos 20 e poucos minutos, acompanhado do pensamento “que filme LEGAL”. Trimassa, muito afudê, do caralho, nada disso se aplica. Legal é o termo mais adequado. Numa escala de 0 a 10, o legal seria o 10. O filme eu não sei que número é, não é 10, não tem número nenhum. Legal não é o 10, seriiia, pois não se trata de uma escala de valores, trata-se de um termo que designa uma experiência estética, que, por conseguinte, está acima de qualquer tipo de racionalidade. A ponto de transformar um mero legal em algo extremo. A experiência estética deforma a razão, não há lastro, falar (escrever) é inútil, não sou poeta. Agora mesmo eu já acho exagerado dar todo esse valor ao instante, mas seria “injustiça” negá-lo. E nem tem por que negar. (bah, não sei mesmo que porque usar… nem aqui).

Muitos outros filmes melhores (e favoritos meus) não me deram esse prazer “místico” que O Bom Pastor me deu. Talvez por isso eles precisem ser favoritos, ser lembrados volta e meia, mencionados em listas ou conversas; porque não significaram nada. A paixonite aguda é falta de significado.

Joe Pesci faz uma ponta n’O Bom Pastor. Fazia anos que eu não via o Joe Pesci num filme. Achei trimassa vê-lo careca, velhinho, num papel simples e pequeno no filme de um amigo (pelo menos eu suponho que ele e o De Niro sejam amigos…). Um velho pai de família, longe do agito do passado, inócuo, sereno, até melancólico…

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Eu não sei como é o Joe Pesci na “vida real”, mas deu a impressão de que ele é desse jeito mesmo, e não como os baixinhos tagarelas e/ou violentos que sempre interpretou. Ele convence. E eu fiquei contente de vê-lo e imaginá-lo desse jeito, talvez mais do que ficava quando ele era um tagarela violento e eu achava que ela era assim.

Estou ficando velho, enfim. Legal.

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