Fumar é frescura (edit: adendos nos comentários)

Não é uma réplica ao post da Dora*, apesar do título ter a mesma construção, é só que eu lembrei que cigarro era um bom tema lendo o texto dela.

Eu tenho as minhas opiniões sobre cigarro (sobre fumar), e passo longe da ciência e da política que o assunto envolve; essa suposta seriedade não me interessa, sinceramente. Não sinto a necessidade de me posicionar (“politicamente” falando) em relação a tudo.

Meus pais fumam desde sempre, não morreram, não tossem feito condenados, não sofrem para subir os nossos 4 andares de escada. Às vezes a fumaça do cigarro deles me incomoda, às vezes não. Quando apareci no hospital, meses atrás, com uma dor no peito (pulmão), o médico perguntou se eu fumava: não. Tenho rinite alérgica e vivo com o nariz ferrado; consigo sentir um aroma de cigarro no catarro das profundezas do nariz. Tudo isso são fatos, não tenho opinião sobre eles.

Quando eu saía de noite (à noite, se preferirem), gostava do cheiro de cigarro (e, eventualmente, de cerveja) na minha roupa, no dia seguinte, me sentia bem com aquilo. Mas essa parte sem graça do que eu acho não importa, vamos ao extremismo, à gratuidade, ao preconceito, à intolerância e à polêmica, que me caem bem.
Parte sem graça – parte com graça. Ok? Não há ciência, não há argumentos encadeados, possivelmente nem há minha opinião definitiva e/ou sincera; é gratuito, a busca pela busca, mais pra ser chato. Se alguém replicar e eu achar que não tem a ver, ignorarei.

Quem fuma se sente bem, há relatos apaixonados. Fuma-se para aplacar a ansiedade; para “pensar melhor”, relaxando; há os que fumam só quando bebem; alguns, jovens, têm o princípio “metafísico” de se matar aos poucos, esse “prazer” afetado que certamente seria aniquilado por um cancerzinho causado pelo cigarro; há os já viciados, fumantes inveterados. Tudo bem. São todos livres para fazerem o que quiserem, taí meu máximo de política na história. Só que…

TODOS COMEÇARAM UM DIA. Quero crer que ninguém apareceu com uma predisposição genética a necessitar de nicotina; ninguém tomou umas biras na noite e sentiu, do nada, uma vontade de fumar um cigarrinho; nenhum médico receitou cigarro pra tratar a ansiedade (muito menos a causada pelo próprio crivo, pelo “vício” de fumar). Claro que não. Neguinho começa a fumar de babaca que é, por curiosidade, ou porque acha cool, ou porque os amigos fumam, ou pra ser “rebelde”, ou porque cresceu vendo os pais fumando na sua frente, ou sei lá que merda querem preencher em suas mentes.

Acontece que o cigarro não oferece nada de bom, a priori. O cigarro relaxa quem precisa fumar pra relaxar, porque já condicionou o organismo a isso. Fora isso – que poderia facilmente ser resolvido não começando a fumar – não traz mais nada. Hoje em dia nem o fator socializante existe direito, porque é proibido fumar em tudo quanto é lugar e o fumante está marginalizado (rebeldinhos antissociais que não estão nem aí pra socialização, fodam-se, isso não diz respeito a vocês; existem muitas outras pessoas no mundo, saca?). Álcool, maconha, cocaína, ácido, lança-perfume, chêro-do-morro, peyote, mescalina, ópio, todas essas substâncias têm alguma coisa a oferecer antes de serem usadas, para o “bem”, para o “mal”, não importa, mas elas têm. Se tu tomar um ácido, por exemplo, provavelmente vai ter uma reação de verdade. O cigarro não oferece nada. Quem fuma, que fume, tudo bem, nada tenho a ver com isso; agora quem COMEÇA a fumar, o fumante de hoje, em sua primeira tragada, naquele momento, é um babacão. Todos que fumam foram uns babacas, uma vez que seja. Bom, bem mais de uma vez, porque duvido que um cigarrinho tenha viciado uma pessoa.

A única “vantagem” (bem entre aspas) que EU vejo no cigarro, externa e ilusória (por isso as aspas), também babaca, é ele ser uma “companhia”. Um cara sentado num banco, ou encostado numa parede, ou o que for, não importa, um cara que está sozinho, se estiver fumando, não está mais sozinho, está ali, fumando um cigarro, numa boa. Mas isso, claro, alimenta uma visão “paranóica” autodepreciativa de que estar sozinho num lugar é ruim, quando, na real, não tem nada de mais; seria dar “poder” aos fumantes arrogantes afetados e fortalecer a imagem de que cigarro é cool. Não caio nessa.

++++++++++

* mas leiam o post da Dora, porque ela citou falas do Bill Hicks, um comediante que ela gosta muito, e eu concordo com muito do que ele diz. Liberdade individual e coisa e tal, cada um faz com seu corpo o que quiser. Isso pra terem a consciência de que eu estou longe pra caralho de ser um antitabagista e ter um discursinho “drogas, tô fora”.

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8 Comentários em “Fumar é frescura (edit: adendos nos comentários)”


  1. > Acontece que o cigarro não oferece nada de bom, a priori.

    A partir dessa parte, tu perdeu a lógica, e aí o teu engano ferrou com o que tu pensa a respeito. Talvez seja oriundo de uma experiência de iniciação tua que não te causou nenhuma impressão memorável, mas o fato é que todo fumante (ou a maioria absoluta, pra dizer o mínimo) achou bastante prazeroso as primeiras tragadas que deu em sua vida.

  2. felipeta Says:

    muito embora eu tenha dito que não pretendia fazer ciência e dar argumentos encadeadinhos, acho justa tua objeção, king.

    mas ainda acho que o cigarro é mais um veneno do que uma fonte de prazer a priori. sei lá, acho que é um prazer que não faz falta enquanto não é experimentado, um prazer completamente desnecessário, fútil e que pode ser obtido de várias maneiras que não colocando veneno pra dentro de si e adquirindo um fedor de crivo e, a outro prazo, dentes amarelos e afins. não nego que quem fume sinta prazer na primeira vez (e, claro, nas seguintes), se não mencionei isso foi por conveniência retórica mesmo. mas enfim, não quero convencer ninguém de nada. eu não tenho nada contra quem fuma, não faço distinção FUMA / NÃO FUMA entre meus amigos ou outras pessoas. o texto foi só um texto, opinião pura, “paixão”, pouco compromisso com a lógica. eu não acho que tu (se tu for fumante), o pepe ou qualquer outro fumante seja um burro, um babaca, um otário. quem fuma fuma porque quer, é simples e o resto não importa.

  3. felipeta Says:

    a contradição só é vergonha na academia 😉

  4. felipeta Says:

    e é claro que o fator socializante do cigarro ainda existe, ao contrário do que eu escrevi no post. não é porque o cerco se fechou legalmente que o “tem fogo?” e o “tem um cigarro?” morrerão.

  5. Tiago Says:

    Contradição só é BONITO na ACADEMIA, isso sim.

    Podemos citar outros prazeres que possam ser tidos como “completamente desnecessários”.

    A rigor todos, pois não há necessidade prazerosa, a não ser para quem gosta de ser escravo.


  6. […] escreveu o post “Fumar é frescura” inspirado no meu “Fumar é Sexy“. Quem quiser uma visão mais tr00 nihil da […]

  7. anonimo Says:

    eu queria saber se fumar provoca alterações no corpo?? ou melhor se faz engordar ou emagrecer?? alguem sabe??

    fico a espera de uma resposta!

  8. felipeta Says:

    EU não sei nada sobre isso.
    recomendo pesquisar mais profundamente no google.


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