Por que não tô nem aí pros animais?

É a pergunta que eu me fiz depois de escrever o post sobre o cachorro que morreu em nome da arte.

Nunca maltratei animais maiores que formigas pequenas, e na minha lista de mortes o bicho de maior porte é a barata. Porém minto, já torturei répteis maiores que baratas. As lagartixas são as que mais me irritam, por causa do seu comportamento semelhante ao de insetos como formigas, moscas e mosquitos: agem na casa das pessoas. Um réptil, cacete. Eu não moro na Flórida nem numa savana, pra ter répteis por perto. É muita insolência das lagartixas querer dividir o espaço com os humanos. Fracas, não conseguem se igualar aos jacarés, às cobras, se alimentam de insetos, não de mamíferos; uma vida besta, nada selvagem, e esse terreno é nosso, lamento. Mas, voltando, entenda-se por tortura um banho de inseticida, nada próximo a captura, cativeiro, vivisecção, morte.

É óbvio que entendo a revolta de todas as pessoas com o fato de um cara amarrar um cachorro doente próximo a uma frase escrita com ração e dizer que é arte. Só que eu simplesmente não me revolto. Não é uma posição “política”, é pura e simples afecção, é como a coisa me atinge, sem julgamento. Se eu visse essa instalação do cachorro moribundo, com toda a certeza, não ficaria revoltado; não me faz diferença só saber do ocorrido, ver em foto, ver ao vivo. Eu ficaria bizarro, isso sim, pelo extremo da coisa, como fiquei, de fato. Não aceito ser crucificado por isso, por não me importar. Eu não fiz nada com o bicho, afinal de contas, só não dei a mínima. Não aceito, só porque o tal Guillermo Vargas Habacuc fez essa atrocidade, a infantilidade de ficar chamando ele de “artista” e a instalação de “arte”, assim, com essas aspas superjulgadoras, oh.

E nem pretendo discutir a Arte, o que ela é ou deixa de ser, qual sua função ou qual não é. Isso é masturbação mental, isso não importa e, acima de tudo, entendo sobre isso tanto quanto qualquer “revoltadinho dos animais”. E o post não é sobre esse assunto, é sobre mim.

Fato é que eu não tenho a resposta para a pergunta do título. E aqui em casa ninguém, não somente eu, se abalaria pra assinar uma petição contra o artista por causa desse lance do cachorro. Ninguém chora porque tem cachorro e gato se ferrando na rua. Quer me julgar baseado apenas nisso? Tua vida deve ser uma bosta, ein. Não sei, acho que minha família é das antigas, que se preocupou mais em conviver, em juntar a parentada, em lidar com assuntos internos – italian style. E, bem ou mal, cresci nesse ambiente. Teve também meus 11 anos de colégio marista, católico, não sei se isso pode ter influenciado. Cachorro vai pro céu? Tem alma? Eheh.

Sou especista. Não sou de direita, nem de esquerda, não sou nazista, anarquista nem nada disso, poupe-se de pensar sobre. Para mim, bicho e gente não são a mesma coisa, mas também estou longe de pensar em coisas como o Oh, O Ser Humano, Ser Supremo da Terra, Racional, Evoluído. Sou antropocentrista na medida em que acho que quem manda é o homem, não os animais. Assim que funciona. O ser humano pensa, com isso faz cagadas, comete atos de crueldade, subjuga os seus e os outros, grande merda, não quero mudar isso, acho idiota querer mudar. Não quero, no futuro, ser multado ou preso por tratar um cachorro como um cachorro. E não se trata de ser cruel, trata-se simplesmente de “Eu sou o humano aqui, eu que te mantenho vivo, eu mando e tu obedece. Tu é um cachorro, tu não usa roupinha, tu dorme na rua e tu é inferior a mim.”. E os animais SÃO INFERIORES AOS HUMANOS, caralho. Eles são. O resto é devaneio. Inferior, superior. Sem melhor, pior. Não existem fatos, apenas interpretações? Discordo. Ou concordo, mas essa coisa não vai tão longe assim. É simples aceitar que animais são menos que humanos, e não quero ser espinafrado e apedrejado por achar isso. Eu não faço mal aos cães e gatos de rua, como não faço aos mendigos ou a qualquer outra pessoa. Eu sou bom. Absolutamente? Decerto não, mas isso não faz sentido, porque não tem deus e esses julgamentos absolutos se tornam fantasia.

A defesa dos direitos dos animais beira o radicalismo religioso e o terrorismo ideológico, e eu não gosto disso. Arte extrema sim, política extrema não. Política em geral não.

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5 Comentários em “Por que não tô nem aí pros animais?”

  1. julinha Says:

    comentário cristão: todo mundo quer tirar os animais das ruas, e exigem melhores condições em canis e tudo mais, mas ninguém se importa com mindingo na rua, condições péssimas nas prisões.

    o cachorro da exposição certamente estava morrendo aos poucos em algum lugar, sem nem ninguém se importar. o cara só tornou isso público. ia morrer mesmo…

    “tu não usa roupinha” ahahahahahahahah

  2. Dora Says:

    Caraca… Muito bom esse texto. Pensamos igual nesse assunto.

    “Não quero, no futuro, ser multado ou preso por tratar um cachorro como um cachorro.”

    Nem eu!!!

  3. Elia Says:

    E é por isso que o mundo está assim, se acabando. Pois aquele que ajuda um animal com certeza ajudará uma criança, um mendigo. Aquele que não olha para um animal na rua não se engane, ele tbém não olhará para a criança, para o mendigo. O mundo é dividido assim: aqueles que ajudam e aqueles que não ajudam, não importa o que ou quem. Não que ro no futuro, ser multado ou preso por tratar um cachorro como um ser sem alma.

  4. Guilherme Says:

    esse texto tem duas faces para aqueles que amam animais vao ficar muito bravos, aqueles q cuidam de suas proprias vidas nao vao ligar tbm, mas a questão eh essa independente de ficar na frente das pessoas ou nao, o cachorro ia morrer de qualquer jeito, pois nas ruas vao dizer q ele estaria melhor, bebendo agua da chuva e comendo coisas estragadas até morrer esse artista so apressou o processo q seria inevitável pelo ponto de vista do autor.

    Conclusão: Quando as pessoas presenciam um bicho moribundo ser finalizado eh sempre pior, do que ele tivesse sido longe de tds

  5. Ana Says:

    prefiro nao comentar


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