Paris, Texas

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Ontem vi Paris, Texas (1984), meu primeiro Wim Wenders. Cresci ouvindo e lendo que o Wim Wenders compunha “a tríade do novo cinema alemão*”, mas nunca tinha visto nada dele. Pura falta de interesse, sei lá, mesmo porque os outros dois diretores da tal tríade são Werner Herzog e Rainer Werner Fassbinder, comediantes de marca maior. Preconceito também, sinto cheiro de american no Wenders, e ele fazer filminho com Bono Vox não ajuda. Mas assisti e, claro, gostei.

Minha cultura ancestral sobre Paris, Texas – a da infância- se resume a conhecer a capa feia do vinil duplo da trilha sonora, que meu pai tinha, bem como a própria trilha, que meu pai ouvia. E eu via a capa feia do VHS duplo, na locadora. Não sei o que exatamente não me atraía naquilo. A textura, a mulher feia, o cara feio… era sujo (= sujeira e não = graficamente poluído), sei lá, eu era criança. E era muito provável que eu achasse que filme com duas fitas (e com gente feia eheheh) era filme de gente grande. Diretamente associado a esse filme estava outro: Tess (1979), do Polanski, outro VHS duplo, com a mesma mulher feia na capa. Para mim eram filmes irmãos, não que isso importe para o post.

A essa altura, vocês já viram que a mulher feia é a Nastassja Kinski, né. A mulher tá chegando perto dos 50 e continua bela. Eu era criança. Feio é o pai dela.

O filme é bom. Melancólico, pesadinho e, evidentemente, estranho. Nesse ponto o Wenders se aproxima da Máquina Herzogante e do Fassbinder: comportamentos “sem explicação” (não mastigados hollywoodianamente), extravagâncias em nome do bizarro, “dispensáveis” no que diz respeito ao ponto central do filme. Cinema de autor, filho da puta!

Depois de estar desaparecido por 4 anos, vagando mudo pelo deserto, Travis é resgatado por seu irmão. Reconstrói a relação com o filho de 7 anos, que tinha sido deixado para trás. Parte em busca da ex-mulher, Jane, ao lado do filho.

O guri é trimassa, a maturidade dele se encaixa nos comportamentos “sem explicação” que mencionei antes. Isso e o tom geral da coisa, sei lá, o cara some por 4 anos, é encontrado e volta e é como se nada tivesse acontecido; reata com o filho, leva ele pra achar a mãe, normal; não tem entusiasmo, não tem briga, não tem nada. O Marcelo Janot disse que esse é o filme mais psicanalítico do Wim Wenders. Eu não sei, não vejo filmes assim pra pensar, vejo pela experiência estética.

Os dois encontram a mãe do guri. A cena do diálogo entre o personagem do Harry Dean Stanton (Travis) e o da Nastassja Kinski (Jane) é longo e sensacional. Fim de papo.

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* muito embora nem ele, nem o Herzog, nem o Fassbinder tenham assinado o Manifesto Oberhausen, de 1962.

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2 Comentários em “Paris, Texas”

  1. tiago Says:

    bah… eu ia assistir mas acabei nao assistindo. atucanation com 3 seleções de mestrado minhas e entrevistas de emprego da cássia. mas valeu: passei pra segunda fase nas seleções e a cássia ganhou o emprego. uhuh. o wenders fica pra próxima vez q o telecine cult passar. cinema de autor, filho da puta!

  2. felipeta Says:

    afudê! parabéns pra vocês ae!

    paris, texas – hoje, às 19:20.


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