Filme comuna

Quando me convidaram pra ver A classe operária vai ao paraíso (Elio Petri, 1971), minha primeira reação foi “eu apareço lá pra gente conversar, mas não vou assistir o filme”. Não sou fã do cinema italiano nem de filmes manifestamente comunistas. Tampouco domino minimamente esses temas, e faço questão de ser ignorante e não diferenciar socialismo, comunismo, marxismo, porque estou cagando para política. Meu preconceito com filmes desse tipo se dá pelo simples fato de eu não ser engajado em nada, nada tem a ver com discordância política; não sou engajado, logo não me diz respeito. Mas fui ver a película.

O protagonista era ninguém menos que El Indio, de Por uns dólares a mais: Gian Maria Volontè. Ele foi também Ramon Rojo em Por um punhado de dólares, mas como esse eu não vi 4 vezes recentemente, abro mão da intimidade. A trilha era do Ennio Morricone, muito boa, semelhante a vários neofolk e martial industrial que eu ouço.

Como eu ignoro o discurso político, absorvi o filme pelo que ele tinha de melhor: o fato de não pertencer ao padrão hollywoodiano. E, embora pudesse parecer pela primeira frase  do post, não houve nenhuma lição ou reviravolta no final, não saí do cinema apoiando operários nem com raiva dos patrões e do capitalismo. Continuo cagando.

Fato é que o filme é engraçado e eu gostaria de ter visto até o final, mas a fita estava toda podre, impossibilitando a completude da projeção. Lulu (o personagem do Gian Maria) era o único operário que trabalhava com vontade e cumpria as cotas impostas pela fábrica. Os vagais comunas detonavam ele por trabalhar rápido e deixar mal os colegas mais lentos. Típica atitude de incompetente ou vagabundo eheheh. O cara era bom, tinha a manha, foda-se. Hail, trabalho, ora! E isso dito por alguém que não trabalha (eu) eheheh.

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4 Comentários em “Filme comuna”

  1. Dora Says:

    A gente pode até não trabalhar, mas pelo menos a gente não faz serviço de porco, quando somos requisitados. Mediocridade é uma merda. Pau no cu dos vagal.

  2. felipeta Says:

    e pau nos grevista!

    uehueheueh


  3. Aqui você mencionou algo que eu prezo: filmes que fogem ao padrão hollywoodiano. Então, vou procurar pra conferir. Até porque, eu gosto muito de filmes políticos. Grato pela dica e excelente análise. Um abraço!

  4. felipeta Says:

    ‘nada.

    boa sorte na procura, dizem que é um filme raro..

    é um bom filme.

    abraço.


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