Além dos limites do inédito, do simbólico e do bizarro

Recomendo aos que não conhecem a obra de Alejandro Jodorowsky que não comecem por Holy Mountain (1973). Mesmo tendo visto apenas 2 outros filmes dele (Santa Sangre e El Topo), duvido que algum outro vá além de Holy Mountain.

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Por que não começar pelo mais bizarro? Porque é difícil, é preciso se adaptar à obra de Jodorowsky? Não, isso é frescura. Não começar por ele porque senão corre-se o risco de ver os outros filmes e ficar achando que faltou alguma coisa. Holy Mountain é pesadamente carregado de imagens fortes, um apocalipse simbólico. Cada cena é uma pintura iconoclasta psicodélico-religiosa. Ritualismo pouco é bobagem, Kenneth Anger tem um parceiro a altura. Os anões e os animais de Herzog são levados às últimas conseqüências, acompanhados pelos tradicionais seres mutilados de Jodorowsky. Acho que nunca vi tanto bicho diferente em um só filme. Falo do Herzog porque prezo muito seu trabalho, mas seus filmes nada tem a ver com os do Jodorowsky, a busca é outra. Mas como Freaks não nos prepara para Também os anões começaram pequenos, de Herzog, El Topo e Santa Sangre não nos preparam para Holy Mountain. Por isso é interessante vê-los antes. A catarse da surpresa pelo despreparo é superior à catarse da surpresa sozinha.

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Na preparação para Holy Mountain, Jodorowsky – que vive um guru no filme – foi conversar com um guru de verdade, que lhe receitou LSD. Os atores foram morar com Jodorowsky, um lance hippie. As atrizes todas foram comidas pelo diretor. Os homens não.

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Diz-se que nos anos 70 o pessoal tomava um ácido durante a exibição do filme. Acho desnecessário, embora nunca tenha tomado e desconheça os efeitos, na prática. Holy Mountain é uma sucessão de coisas que a gente nunca viu nem nunca mais vai ver num filme, é o inédito encarnado (ou filmado). Pássaros saem de feridas abertas; apóstolos-putas; merda vira ouro; sapos e camaleões devidamente trajados disputam o México; uma vagina eletrônica dá à luz uma pequena vagininha eletrônica. Tudo isso e mais, para depois emendarmos numa peregrinação em busca do despertar espiritual.

Veja. Aprenda. Sobreviva.

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Bônus:

Lucifer Rising, de Kenneth Anger;

Trailer de El Topo.

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3 Comentários em “Além dos limites do inédito, do simbólico e do bizarro”

  1. plenaeserena Says:

    excelente análise!

    viagem sem volta, esse filme

    to know
    to dare
    to want
    to be silent

  2. Dora Says:

    bah!! será que nesse filme também tem psicodelia?!

    meu!… tu já viu ZARDOZ? Com o Sean Connery novinho?

    num precisa de ácido não… coisa de loco.

  3. felipeta Says:

    ZARDOZ é clássico! mas só vi uma vez, faz tempo…..


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