Dramático e desesperador

No site da Bizarre, um bom texto sobre a angustiante Desordem da Integridade e Identidade Corporal (Body integrity identity disorder – BIID). Basicamente quem tem esse problema não se identifica com o corpo que tem, buscando a amputação, por meios cirúrgicos legítimos ou, mais freqüentemente, por meios próprios. Evidentemente é raro médicos que façam esse tipo de procedimento. Além da simples amputação, a BIID se estende para o transablism, condição daquele que não consegue conviver com o fato de não ter uma deficiência fisica e busca se fingir de deficiente. Por uma necessidade psicológica bizarra, não por filhadaputice, por favor.

No texto da Bizarre é apresentado George Boyer, que sapecou um buraco na própria perna, com sua arma. No hospital, implorou para que a perna fosse amputada em vez de salva.

In an interview with one newspaper, Boyer explained his desire to go to extremes. “I’ve wanted to be one-legged since I was a child,” he said. “No-one can help this overwhelming and irrational wish that I’ve experienced with varying degrees for as long as I can remember. For the first time in my life, I’m finally happy.”

Temos, também, exemplos de outras pessoas que sofrem do mesmo problema, todas entrevistadas e estudadas pelo Dr. Michael First, que é primeiro no sobrenome e no estudo da BIID (a que ele mesmo deu o nome). O americano Roger Kaufman, no alto de seus 70 anos de idade, começou a se amputar em casa, depois de anos sem conseguir apoio cirúrgico convencional.

“I had been a boy scout and we did first aid, I figured that if I cut off a toe I could do the first-aid necessary to quench the flow of blood,” says Roger. “The first time I got all ready, but chickened out, so I took a nap and when I woke I did it right away. I submerged the toe in iced water for five to 10 minutes beforehand to numb the area. I used a mini rubber band as a tourniquet, then carefully placed a chisel on the toe joint and hit it down with a hammer. It was like dealing with a piece of wood, it was that numb.”

Kaufman já quase não tem dedos nos pés, e suas mãos estão começando a perder a funcionalidade, mas ele diz: “I ask myself, ‘When will I stop?’ and the answer is this: never.”

No BMEzine tem uma entrevista com um cara que autoamputou a mão.

As long as I can remember, having two hands was a defect in my body — something that was not meant to be. For me philosophically, it’s totally different from body mods, which I also have. I don’t think I had any choice. My right hand just didn’t belong to my body.

Angústia.

The dichotomy between what our psyche tells us and what our body tells us is ripping us apart. – Sean O’Connor, do site Transabled.org.


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One Comment em “Dramático e desesperador”


  1. Isso é exatamente um problema mental que muita gente tem, só que passa desapercebido por ser em doses, digamos, bem menores; e por vir com uma “embalagem”, digamos, “interessante” (caracterizado por moda, estética, arte, ou até mesmo “leve” excentricidade).

    Se não houver um esforço de vontade, a desordem sempre vai levar aos casos extremos citados.


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