WATCHMEN, Alan Moore, 1986.

Terminei.

watchmen-casting

A obra-prima sobre super-heróis de verdade do Alan Moore. Quando foi relançada no Brasil, uns anos atrás, tentei comprar, mas alguém cagou na bacia e eu não quis limpar. Significa que consegui adquirir apenas os números 1, 2, 3 e 5, dos 12 que totalizam a série. Ou algo parecido. Como pretendia ler só depois de terminar de comprar, nunca li. Na época, Watchmen ainda era, para mim, uma revista com cores feias, personagens visualmente nada atraentes e desenhos meia-boca. Ou seja, não me importei muito.

Os anos passaram e sei lá quantas semanas atrás resolvi catar Watchmen na internet, já que em papel daria mais trabalho. Aí li, devagar, mas li. Preguiçosamente desagradado por, ao final de cada parte, querendo passar para a próxima, ter que ler 3 ou 4 páginas de TEXTO, não de quadrinhos.

A narrativa é arrebatadora, fascinante. Parece um filme, mas não é, não precisa ser, não deveria ser. O famigerado filme que sai ano que vem não terá 10% do espetáculo que o Alan Moore criou, e não vejo como vai dar conta daquilo que está impresso. É muito simples ver uma coisa numa tela gigante, com um som debulhante e uma trilha sonora muito bem convenientemente colocada e se arrepiar, achar foda. Mas terá sido ilusão, terá sido o momento. A graphic novel não têm efeitos especiais, não faz nenhum som; os personagens não se mexem nem têm voz. Ainda assim, é magistral. Zack Snyder (o diretor do filme) não é magistral. Não, é claro que ele não é magistral.

Tudo em Watchmen se completa de maneira irritantemente pensada, e é perfeito. Palavras, falas, desenhos, os textos do final, as narrativas paralelas, a realidade, juntos numa simultaneidade bizarra. A maestria me fazia pensar em constrangimento por achar Cavaleiro das Trevas o máximo. Licença poética.

Só que aí cheguei ao final, à parte 12, e achei palha. Vou dizer o quê? Não gostei do final, ué. Uma hora eu releio, pra não ficar tão mal.

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P.S.: Rorschach, o vigilante com máscara de borrão-de-Rorschach. Fascista, torturador, monotônico e de poucas palavras. Um fodalhão, trimassa. Até ser preso e perder a máscara, revelando-se um ruivo sardento doente mental, um retardado, isso sim, perdendo toda a mística (e o meu respeito). Sim, todos os super-heróis da série são humanizados, são pessoas comuns, com problemas e afins, mas só o Rorschach me decepcionou.

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