Coisas que eu inventei

Inventar: ter uma evidente, clara, cristalina e CONSCIENTE ilusão de ter sido o primeiro a fazer, ver, falar, ouvir, dizer uma coisa em instância maior ou menor, baseado em uma deliberada ignorância de fatos, pessoas e tempos passados, de tendências e sincronicidade, com o intuito de fazer graça, mas também – e principalmente – massagear o ego e dar uma força pra auto-estima, essa cadela. Mais conhecido como síndrome do pioneirismo, da qual todos sofrem, em maior ou menor escala. Não confundir com síndrome do underground, que é choramingar que já gostava de uma coisa antes e que a coisa ficou pop. Não estou choramingando nada, estou cobrando (falsa) primazia.

Pela definição espero que todos tenham entendido que esse post é uma GALHOFA, não é sério. Não elencarei as coisas que inventei na instância familiar, senão saio daqui um Thomas Edison, seria injusto.

Começo com um filme, de vários que inventei: O ódio (La haine, 1995). Aluguei o vhs lá em 95/96 e vi 4 vezes em 2 dias, antes de devolver. Fiz a devida difusão. No final da década de 90, e ainda hoje, gente “descobre” esse filme francês que eu inventei e adorei por anos. Por tabela inventei o Vincent Cassel, que revelou-se com essa película e hoje papa a Monica Bellucci. De nada, irmão.

Quando, em 2001 (ou 2002), caiu na Multisom o cd Relationship of command e o clipe de One armed scissors mostrava os dementes cachopentos na MTV, eu já tinha há vários meses TODA a discografia do At the drive-in, EP’s e LP’s. Conexão discada, 5 cd’s cheios de mp3. Quem lembra sabe que eu inventei a banda. Disponham.

Inventei o Bunny Boy do Gummo, ao usar orelhas de coelho no Bambu’s no ano 2000, como parte da invenção conjunta do terrorismo poético junto com o Pingarilho, depois de o Pilla ter inventado o Hakim Bey para os porto-alegrenses. Além das orelhas de coelho, circulei com uma máscara de gesso lendo o Poema sujo do Ferreira Gullar. Consequentemente, inventamos as flash mobs e o improv everywhere. Chupa.

Inventei o Hermes e Renato ao escrever, 1 ano antes de eles surgirem, o roteiro de um curta sobre adultério (nunca gravado) chamado Nacionalize (nacionalaize), em que abusava-se dos palavrões ao melhor estilo do cinema nacional de outrora.

Inventei a barba, lamento dizer, aceitem. Antes da febre barbística dos Los Hermanos eu já cultivava. Inventei também o barbão de 15cm 22cm, prova disso era se fazer presente em algomerados de gente com barbichas longas e ostentar a maior. O bigode eu não inventei, mas fui um dos primeiros, e obviamente muito antes da moda do bigodinho hollywoodiano atual. Antes de o Orkut ter sua primeira explosão brasileira (2004) – quando começou a se falar muito em deixar um biga – eu bigodeava. Aliás, quem inventou os Los Hermanos foi o Tiago, quando todos ainda odiavam Anna Julia.

Inventei a musculação para gente como eu, os egressos das bebedeiras e do rock de 1999/2000, os que no tempo de escola eram os perdedores e evidentemente não eram do tipo que fazia musculação. A partir de 2005, 2006 que o pessoalzinho começou a fazer musculação e falar disso. Comecei em 2003, quando meus amigos (que hoje fazem) fizeram piadinha. Nota: se você começou antes de 2003, era playboy e não sabia, não era um perdedor notívago, então está descartado e não inventou nada.

Inventei o fotolog entre os meus conhecidos. Eles tinham (e tem) mais talento e melhores coisas para mostrar, mas eu fui o primeiro entre nós a usar o site para tal.

Inventei o System of a down ao baixar Storaged e Sugar, duas canções curtas e ensandecidas. No mesmo dia mandei por ICQ Storaged – 1 minuto e 20 de peso, rapidez e demência debulhativa vocal e instrumental – para a Cherry, que eu lembro que aprovou (ou mentiu que aprovou ahah). Quando a banda estourou com o segundo disco (em 2001) eu já tinha decorado o primeiro (o melhor) havia muito tempo.

Inventei a Ashley Tisdale. Ela ainda era uma deusa nariguda em Zack & Cody – Gêmeos em ação, e eu já falava dela. Só depois surgiu High School Musical e a rinoplastia criminosa.

Inventei a série It’s always sunny in Philadelphia (do canal FX), já mencionei por aqui e reforço. O detalhe é que essa invenção ainda não foi descoberta pelo grande público.

No momento não lembro de mais coisas que inventei.

😀

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10 Comentários em “Coisas que eu inventei”

  1. tiago Says:

    hahahahahahahahaha
    a cássia manda dizer, ao vivo, via skype (que eu não sei quem inventou) que foi ela que inventou, em 2003, o bigode.

    • felipe Says:

      ahahahahahahah o skype eu até sabia quem tinha inventado, mas esqueci. sobre o bigode, está em aberto, pode ter sido a Cássia mesmo. uehueheuhe

  2. Renan José Says:

    Droga, eu tinha acabado de pensar em divulgar algumas comunidades do orkut que eu acho lindas e que não têm nenhum significado para quem não ouvir a devida explicação de o porquê de eu ter inventado. Mas inventar não é ser se você não sabe que alguém sabe, por tal a grande sacada é alguém divulgar seus feitos nascisisticamente de forma descarada.

  3. julia Says:

    não adianta. tem um satélite espionando. cedo ou tarde alguém rouba a nossa autoria das coisas.

    e tua barba tinha 22 cm. na última medição 🙂

  4. julia Says:

    tenho certeza absoluta, porque tava quase chegando no 30 cm. e eu não pensaria nisso se fosse metade. eheh

  5. Geovani A. Says:

    acho que a tua melhor invenção ainda é essa definição de inventar.


  6. […] a Coisas que eu inventei. No post original eu não pude mencionar uma coisa que eu inventei, porque não tinha fotos da minha invenção nem […]

  7. chicao Says:

    Algumas coisas que inventei (tenho provas cabais de tudo).

    -DVD(filmes em DVD), MP3 player (e todas suas variaçoes, mp4, mp5…mp48), mouse optico, usb, roberto justos, o filme matrix, a TV de plasma, o uso de palavroes em escolas publicas, a revista MAD, os simpsons, a TV a cabo, o sistema GPS, o fogao de 6 bocas com banho maria, a novela das seis, pay per view, o msn(antes ICQ), fazer o trabalho de casa na escola, o pulmão artificial, o HIV, a turma da rua XV, o uso da celula tronco…entre outras tantas invençoes. Se quizer passo uma lista das coisas que ainda serao inventadas.


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