Quando eu era poeta

ADEUS A UM FILHO – GRAVIDEZ MASCULINA

seguindo o ciclo natural
faço uma refeição saborosa
como até passar mal
preparo a merda pastosa

trabalha meu intestino
labuta sem se cansar
modela o ser tão divino
estou pronto para cagar

a minha rodela anal
buraco do rego ardido
abre alas pro ser fecal
marrom, gordo e comprido

o barro parece vivo
desce sem se partir
ele me olha passivo
não tem vontade de ir

embora eu sinta pena
decido puxar a descarga
minha alma não é mais plena
minha vida está mais amarga

godspeed, mecônio evoluído
vá conhecer outros cagados
enquanto eu, de coração partido
te vejo ir, com meus olhos marejados

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2 Comentários em “Quando eu era poeta”

  1. tiago Says:

    hauhauhauhauhauhauhahauhauhua
    fantástico!
    me intriga nos teus poemas a recorrência da temática da dor da despedida, a hesitação diante do adeus à velha barreira. certamente será motivo de simpósios de estudiosos da literatura.

  2. julia Says:

    bravo, bravo!! coloca a do jacaré!!


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