Picuinhas ou nem tanto

Começa com o pen drive, esse armazenador de vírus. Parcela da sociedade tem o hábito de se referir ao artefato como A PEN DRIVE.

Por quê? Por acaso não se trata de um drive? Especificamente um flash drive, como chamam os americanos. Um pen drive NÃO É UMA CANETA. Nem mesmo SE PARECE com uma caneta, menos ainda exerce a função de caneta. Tá errado A pen drive, pô.

Pen drive seria feminino se, por acaso do destino, usássemos termos franceses para nomear artigos de computação. Na França, como apontou a Dora, o pen drive é uma clé USB. Aí, aportuguesando escrotamente, o pen drive brasileiro seria UMA CLEUSBE, digamos. Uma CHAVE USB. O pen drive se assemelha com uma chave? Não, mas isso já não seria problema nosso, porque foram os franceses que inventaram, apenas teríamos nos apropriado do termo. [Se bem que assemelha-se um pouco a uma chave, sim, na medida em que pegamos entre nossos dedos e inserimos numa entrada no computador, abrindo a unidade (uma chave que abre a si mesma!). MUITO mais sentido do que dar nome de CANETA pro bagulho.]

O que me leva adiante e me faz pensar que chamar um flash drive de PEN DRIVE só pode ter sido invenção de brasileiro. E por que simplesmente não nos apropriamos do termo flash drive, cacete? Se eu pesquiso pen drive no Google eu não encontro nada estrangeiro se referindo a esse negócio que usam pra guardar vírus, mp3 e séries baixados nos computadores da faculdade. Quando muito, acho o verbete flash drive da Wikipedia, sei lá, porque o Google é esperto.

A Cherry bem apontou a coisa mais óbvia do mundo: usar-se-ia o artigo feminino se o objeto fosse uma DRIVE PEN. Isso, claro, supondo que o termo original em inglês trouxesse essa maldita palavra “pen”. De qualquer maneira, se o termo fosse drive pen, já não nomearia uma unidade de armazenamento, mas sim uma caneta com alguma peculiaridade (peculiaridade irrelevante para o caso).

Então: nota zero pro pen drive. E nota zero, sem direito a recuperação, para A pen drive.

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Outra parcela da sociedade baixa AS mp3. São ARQUIVOS, não são MÚSICAS. OS arquivos, OS mp3. Decerto já tá encarniçada uma distinção entre o aparelhinho que toca as músicas e o arquivo que o cara baixa,vai saber… Nêgo baixa UMA MP3 para ouvir NO MP3. Jesus.

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Para mim, A pen drive e A mp3 são amigas DA Guaraná e DA Sprite que estão guardadas NA isopor, no porta-malas DA Escort.

Picuinhas, no más. Não é minha intenção ofender quem fala desse jeito. Mesmo porque a máxima existe e nunca é demais lembrar:

OFENDER-SE É ESCOLHA DO OFENDIDO.

Se ofende quem quer. EU não ofendi ninguém. Ofender-se é escolha do ofendido, principalmente se ele escolhe chamar seu pen drive de A pen drive.

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O continente Antártico, lembram dele? Pois no meu tempo de colégio ele era conhecido como Antártida, com D. Já faz uns anos que mudou, não sei por quê, pra Antártica. Ártico, antártico, sim, faz sentido, não estou dizendo o contrário. Só que NÃO ERA, porra, era ANTÁRTIDA.

Assim como era Luís Fernando Veríssimo e Érico Veríssimo. Tenho os livros aqui em casa, ora, era assim. Hoje os acentos todos sumiram.

Eu sei que em nenhum lugar está dito que a grafia deve ser filha da fonética das palavras, mas FARIA TANTO SENTIDO. Nem mencionarei o Acordo Ortográfico, que mijou e cuspiu em cima dessa “minha” BANDEIRA.

Me desculpem os Veríssimo, mas se tá escrito Verissimo em português, é para o cara ler ve-ris-SI-mo. Como o cara lê arrimo, paladino. Para mim é nada além de óbvio. Vale o mesmo para o Erico. Esse nome, escrito assim, é a palavra rico precedida de um E. O R vai suavizar, claro, mas o ICO é o mesmo,  como em Alarico. Se tá sem acento, não posso me referir ao autor como Érico, pô.

E o Luís também. Luís sem acento – Luis – não é nada além de LUZ dito errado. Tipo “apaga a luiz, faiz favor”. Tá ali o UI, ué. RUI, LUI, LUIS.

Antônio é outro que se livrou do acento. Só que Antonio, para mim, é a mesma coisa, sonoramente, que Antonil, varonil, Brasil, brio, tio.

Não sou burro e intransigente, não chamo as pessoas pelo nome errado só porque mandaram os acentos pro inferno, mas não deixo de ser partidário de as palavras serem escritas como são lidas. Sou pela pela eliminação do H e do X, pela duplicação dos S’s e pela promoção do Z e do CH. E dane-se a etimologia.

Estilo Qorpo Santo, como fez questão de ressaltar a Mariana.

Não me agrada nada, tampouco, ouvir falarem em “pen drives” com 2 gigaS. Que gigas, meu? Internet de 5 megaS. Para a puta que o pariu, tchê. É o mesmo que nós gaúchos, por exemplo, começarmos a falar que as coisas são TRIS, em vez de TRI. Não tem essa, magrão. Tri e trimassa não tem plural. “Vi 2 filmes trimassas.”?? O CARALHO. Evidencia-se assim que também rejeito o uso do fodas. Isso é plural do substantivo foda. Uma foda, duas fodas bem dadas. BITCH. Desprezo esse uso internetês do adjetivo foda no plural.

Um mínimo de ordem, um mínimo de parâmetro, um mínimo de critério. É o que eu acho.

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11 Comentários em “Picuinhas ou nem tanto”

  1. julia Says:

    depois vem me dar UMA mousse de chocolate PRA neném.
    os acentos dos nomes dos veríssimos foram parar lá na antártida, que também sumiu, aí sumiu tudo junto, já.

    e outra: me lembro claramente de falar antártica e me dizerem que isso era o guaraná, mas não lembro de menção alguma sobre essa mudança e nem sei precisar quando aconteceu.

  2. Dora Says:

    Hahahaha… Genial!!! Morri agora no final com o “trimassas”… pqp… O horror….

  3. cássia Says:

    não concordo e jamais concordarei com a história dos megas. eu acho que deve ser no plural, sim, como qualquer outra unidade de medida. eu falo 5 quilos, muito embora a unidade de medida correta seja “quilogramas”. “quilo” é apenas uma abreviação da unidade de medida “quilograma”, assim como “mega” é uma abreviação da unidade de medida “megabyte” e todos eles devem ter o plural marcado com um “S” no fim.
    eu não me importo nem um pouco com o fato de a minha opinião ser considerada irrelevante por ti! viva os megas!


  4. […] os outros problemas citados no post original, não encontrei ajuda no site do […]

  5. Valmor Says:

    Um adendo: minha amiga israelense Lilac, que passou 3 meses aqui em casa não conseguia entender o que diabos era pen drive. Toda vez que eu pedia o pen drive dela para colocar AS mp3, ela dizia: “You mean my disc-on-key?”, que é como chamam esse artefato por lá.

  6. lis jorgensen. Says:

    AHAHAHAH maravilhoso!

  7. felipe Says:

    Um adendo importante e que REFUTA a parte do meu post no tema mp3, vindo de Mauro – Columbus, Tallahassee, Wichita and Little Rock:

    “as mp3” vem de “as músicas no formato mp3”. E “o mp3” é de “o aparelho que toca mp3”.><

    Simples, MUITO simples. A raiva me levou e nem pensei nessas possibilidades óbvias.

  8. felipe Says:

    RETOMO, depois de anos:

    músicas no formato mp3. nota zero. você escuta a música abrindo o arquivo mp3. dizer que ouve no formato mp3 seria o mesmo que ouvir UMA CD ou UMA VINIL.

    sobre O mp3, como sendo o aparelho, nem comento. é UM PLAYER, um tocador.


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