Projeto Herzog: 3 curtas (1962, 1967, 1968)

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Herzog achava que a única maneira de aprender a fazer cinema era de fato fazendo, então roubou uma câmera e filme 35mm e começou. Aos 20 anos de idade, fez Herakles.

Matará a hidra de Lerna?

Por pouco mais de 9 minutos, com uma trilhazinha jazzística, uns caras malham. Fazendo paralelo com os mitológicos trabalhos de Hércules, surgem perguntas na tela, seguidas de imagens não-mitológicas relacionadas ao trabalho mencionado na questão. Nada de mais, até o momento em que um dos homens está fazendo um supino inclinado com haltéres e surge um acidente na pista de Le Mans, no qual um carro voa pela arquibancada e mata umas 80 pessoas. Imagens reais de arquivo, claro.

E aí está:

O segundo curta da Máquina, de 1964, jamais foi lançado ou exibido publicamente. Spiel im Sand, Jogo na areia, é o precursor de Também os anões começaram pequenos, lançado 6 anos depois. Consiste em quatro crianças brincando com um galo numa caixa de papelão. O galo provavelmente termina morto, porque uma das cenas, diz a internet, mostra o bicho enterrado, só com a cabeça de fora. Pois é, nunca veremos, mas no filme dos anões já sabemos a que ponto a demência chegou. Quem não viu, verá quando o Projeto chegar lá.

Em 1967, o bávaro faz The unprecedented defence of the Fortress Deutschkreuz (Die Beispiellose Verteidigung der Festung Deutschkreuz). Quatro homens entram na tal fortaleza abandonada, encontram uniformes, armamento e trago, e resolvem brincar de soldados, defendendo a fortificação de inimigos que não existem. Até aparecem uns fazendeiros, mas logo vão embora, frustrando os abobados. Um narrador fica falando de guerra e outros assuntos enquanto a ação acontece. A falta de noção se dá quando um dos caras corre atrás do outro, a uma distância nada segura, com uma baioneta. Logo no começo tem um filhote de ave moribundo, e mais adiante os caras encontram um ratinho. Perseguem ele feito idiotas, ameaçando com as armas. Em seguida o bicho tá parado no chão. Ok.

Baioneta in the ass

O curta termina depois de 15 minutos, com os homens correndo para fora da fortaleza e o narrador dizendo que as guerras são mais necessárias que nunca, que até ser derrotado é melhor do que nada. Para mim os caras se deram bem, porque levaram uniformes militares e armas pra casa.

Veja com legendas em italiano, as duas partes:

No ano seguinte sai Last words (Letzte Worte). Esse sim! A comicidade se apresenta, há um estorinha a ser contada, é praticamente um minidocumentário. Sobre o quê? Sobre um velho grego louco que vivia numa ilha de leprosos e não fala nada, só canta e esmirilha a lira à noite. Aliás, ele fala, sim. Incansavelmente ele diz Eu não falo nada, não vou dizer nada! Eu não falo! Não vou falar nadinha! Gente fina, o velho Kareklas, que foi retirado à força da ilha dos leprosos, onde vivia sozinho e comia lagartos, cacto e tomate. Ele, se recusando a sair da ilha, dizia que comandava uma esquadra – mas não passavam de navios entalhados em pedras. Já aqui temos o interesse do Herzog nos párias e excêntricos. Anos mais tarde ele irá atrás de um homem que se recusa a abandonar uma cidade prestes a ser arrasada por um vulcão.

"Não vou falar absolutamente nada!"

No entanto, não é só o velhote que garante a graça do curta. Todos que aparecem dando depoimentos sobre Kareklas ficam repetindo suas falas. Impossível não lembrar do melhor filme do Glauber – A idade da terra – em que Tarcísio Meira repete a mesma fala várias vezes seguidas. Como bônus, temos um doutor dizendo que os leprosos tem vida sexual ativa.

Novamente, duas partes legendadas em italiano:

Se em italiano ficou difícil, aqui tem em uma parte e sem legenda nenhuma, mas um cara fez o favor de, via comentários, transcrever em inglês as falas do filme.

É isso aí. Em poucos anos, e só em curtas, nosso amigo já chegou na ponta sul da Europa. Ao longo da carreira ele atingirá o status de único diretor de cinema a filmar em TODOS os continentes. No próximo post, o primeiro longa de Werner Herzog.

VIVA HERZOG!

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3 Comentários em “Projeto Herzog: 3 curtas (1962, 1967, 1968)”


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  2. […] que aciona prejudica « O maior momento de Encounters at the end of the world Projeto Herzog: 3 curtas (1962, 1967, 1968) […]


  3. […] eu já escrevi no post 3 curtas, o curta-metragem Jogo na areia nunca foi lançado ou exibido publicamente, mas foi uma espécie de […]


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