6º Fantaspoa – O cavaleiro (2008)

The horseman, de Steven Kastrissios, é o melhor filme do Sexto Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Embora A centopéia humana (ainda por estrear no festival, mas já coberto no blog) já seja um clássico e eu tenha me enamorado com o House of the devil.

Um filme de vingança. Em todo lugar fala-se da semelhança com Hardcore (1979), do Paul Schrader, qual seja: a filha de um homem some e é descoberta numa fita de putaria. O pai vai atrás dos responsáveis e senta o pau. O que temos de diferente? É um filme independente australiano com violência bruta, tortura e tensão.

I don’t roll out the word “gratuitous” often, but the unremittingly brutal last act can’t escape the charge: it’s too, too much.

Isso acima saiu de uma crítica de um parágrafo do site do Telegraph inglês, que deu como nota uma estrelinha só. Ridículo. A mim parece uma pessoa que não gosta desse tipo de filme escrevendo para pessoas que não tem nenhum interesse nesse tipo de filme. Os distintos leitores do Telegraph não foram informados que O cavaleiro passou em festivais dedicados a filmes desse nível, sendo indicado a alguns prêmios e arrematando outros. É como um estúpido vir dizer que alguém tá de palhaçadinha e querendo parecer culto ao chamar The human centipede de filme do ano, algo que júri e público de festivais de cinema fantástico, independente, de horror e afins mundo afora (incluindo o II SP Terror, encerrado no dia 8, agora) concordam. Eu não sou idiota, amigo. Eu sei o que eu vejo e como eu vejo. Achou ruim? Tudo bem, tá no teu direito, mas não seja um babaca no blog de alguém que tu nem conhece.

Enfim, retornando… Horseman já começa com pé-de-cabra e quebradeira. O pai enraivecido quebra um cara e quebra fitas vhs e computadores. E empurra um escaninho, e bate e pisa um pouco mais nas fitas e arranca nomes do infeliz. Finn? JÁ ESTIVE com o Finn. Um grande momento de destruição. A destruição não é grande, mas haver a insistência nela é ótimo. Na hora me veio à mente aquele monte de gente morrendo ao longo do Traga-me a cabeça de Alfredo Garcia, do Peckinpah. Niilismo.

Armado de pé-de-cabra e uma faquinha de bolso – um canivete, se preferirem – de estimação, o pai roda à caça de todos os envolvidos na fita. A relação dele com a filha não fica clara, só tem flashback dela pequena, mas não parece que eles eram um exemplo de família. A mãe é mencionada, mas não se sabe nada dela. A guria supostamente foi por livre e espontânea vontade gravar o vídeo em troca de grana, o que nos leva a crer que fazia tempo que ela não era a criancinha querida do papai, e ele decerto não era muito presente (como era o santo do George C. Scott em Hardcore). Quer dizer, não foi uma filha exemplar de um grande pai de família que foi encontrada morta com cocaína e heroína no sangue e sêmen no corpo.

Eu não vou descrever todas as atrocidades do filme, é ver para crer. E, como costumo fazer, me posiciono da seguinte maneira, sem querer posar de fodão e dando os fatos: gosto muito e estou acostumado a filmes de violência. Quando meu pai viu Assassinos por natureza, voltou dizendo que era VIOLENTÍSSIMO. Fui ver e não era, saca. Não considerei. Mas aqui não estamos falando de Hollywood. Quando um filme foi feito fora de Hollywood, mais, fora dos Estados Unidos, mais ainda, é uma produção independente e de um diretor que nunca ouvimos falar, a gente já sabe que COISAS PODEM ACONTECER, porque não sabemos que limites existem. E aí dá-se a tensão, a apreensão, o medo a cada cena que começa. Então, para os mais sensíveis (sem julgamentos jocosos) ou menos acostumados, digo que o nível de violência e maus-tratos de Horseman me atingiu positivamente. Positivamente, como em “eu estava quase escalando a poltrona, com os dedos cravados nos braços dela no gratuitous last act que a crítica do Telegraph menciona”. Ou seja, se você não curte, cuidado. Possivelmente todas as cenas anteriores ao sadismo inesperado do last act também serão demais pra você.

Tem a parte sentimental, com uma mina que o pai dá carona, para dar corpo ao filme e aliviar a tensão. Talvez eu devesse rever antes de escrever sobre, mas não há tempo. Já está. Curti muito. O pai é foda.

Utensílios usados  no filme: pé-de-cabra,  canivete, anzóis, alicate, bomba de bicicleta, mangueira, marreta, martelo, maçarico.

Partes do corpo afligidas: pênis, cabeça, braços, torso, orelha, entre outras.

Não confunda esse Horseman com o Horsemen do Jonas Akerlund ou qualquer outro. Veja o trailer, se quiser.

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4 Comentários em “6º Fantaspoa – O cavaleiro (2008)”

  1. Júlia Says:

    EU FALEI QUE ERA FODA! só não falei mais porque tu não deixou!


  2. […] escrevi sobre The human centipede (first sequence) aqui, além de mencionar, quando escrevi sobre The horseman, um pouco da repercussão que o post teve. […]


  3. […] escrevi sobre The human centipede (first sequence) aqui, além de mencionar, quando escrevi sobre The horseman, um pouco da repercussão que o post teve. […]


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