6º Fantaspoa – A centopéia humana (2009)

Encerro minha participação no Sexto Fantaspoa com essa gema do holandês Tom Six. Infelizmente não consegui comparecer à sessão nesse último dia de Festival, mas nem preciso, porque não quero fazer outro posto sobre o filme em si. Já escrevi sobre The human centipede (first sequence) aqui, além de mencionar, quando escrevi sobre The horseman, um pouco da repercussão que o post teve. Retomo.

A centopéia humana é sim, sem sombra de dúvidas, um dos filmes do ano dentro do âmbito do cinema fantástico, exploitation e de horror. Festivais pelo mundo dedicados ao segmento tiveram o filme como um dos destaques. Não são milhares de palhaços querendo parecer cult que concordam comigo, são apreciadores de um gênero, que sabem o que estão vendo. Sim, pessoas que eu nem conheço vieram me acusar de imbecil porque eu elogiei A centopéia humana. Rizível. Espinafrado como se eu fosse o realizador do filme…

É o que se ganha quando cria-se uma obra original, todos querem saber sobre. Como lá no começo de maio só o que existia sobre o filme na internet brasileira era trailer, cartaz e comentários assustados, muita gente caiu aqui nesse blog vagabundo, única possibilidade nacional para quem pesquisava sobre o filme no Google. Pelo menos é isso que me mostram uma breve pesquisada e as estatísticas de acessos no meu blog, que bateram recordes em maio e se mantiveram em junho.*

Mas no post original eu já escrevi sobre a centopéia, agora vou me limitar a colar trechos de algumas críticas especializadas que rolam pela internet. Negritarei partes que eu acho que merecem atenção especial.

Começo com Roger Ebert, o crítico de cinema mais famoso do mundo, que soube se posicionar em relação ao filme, e até exagera um pouco, por ser um barrão:

I have long attempted to take a generic approach. In other words, is a film true to its genre and does it deliver what its audiences presumably expect? “The Human Centipede” scores high on this scale. It is depraved and disgusting enough to satisfy the most demanding midnight movie fan.

I am required to award stars to movies I review. This time, I refuse to do it. The star rating system is unsuited to this film. Is the movie good? Is it bad? Does it matter? It is what it is and occupies a world where the stars don’t shine.

Twitch:

When you want to see a movie called The Human Centipede, I suppose you should be happy that you get what’s advertised. 

Tom Six’s directorial and writing effort lives and dies on an image that both repulses and fascinates. The spectacle of 3 people joined via gastrointestinal systems into a crawling, mewling train is a visual I’d never thought I’d see in a film before and at the same time an inadequate justification of the movie’s 93 minute runtime.

His [Dieter Laser] performance is the main reason to see this film, injecting a rich vein of black humor to the proceedings.

Again, you get what’s advertised when you see this film – nothing more and nothing less.

HorrorSquad, num texto gigante recomendado para quem quer uma análise filosófica da centopéia humana:

French writer Georges Bataille said that “men are swayed by two simultaneous emotions: they are driven away by terror and drawn by an awed fascination. Taboo and transgression reflect these two contradictory urges. The taboo would forbid the transgression but the fascination compels it.” That about sums it up for most people who have sought out The Human Centipede (First Sequence) — and really, horror cinema in general.

Roughly the first forty minutes shows almost no blood, which is reminiscent of the way films like Texas Chainsaw Massacre operate. Our minds tend to fill in the things that never were, through the director’s use of suggestive images and situations.

Six’s methodology subverts expectations, which has a lot more to say about its audience than the film itself.

Hopefully it has become clear that The Human Centipede isn’t just another gross out film — despite what its own marketing campaign would have you believe.

…if almost two thousand words don’t express my admiration for Centipede’s ideas, then I don’t know what will.

CHUD, que já começa mostrando que eu não sou um palhaço, dando a real dos festivais pelo mundo:

This year [2009] I was honored to serve on the Horror Features Jury at Fantastic Fest. We awarded The Human Centipede both Best Feature and Best Actor for Dieter Laser.

What’s the future of horror? The genre is cyclical, with people following the lead and look of what seems to be popular at the moment, new filmmakers chasing the scraps of more original filmmakers. The Human Centipede (First Sequence) is almost a metaphor for that world of derivative, boring horror where someone chews up and digests a new idea and the next person eats their ‘leftovers.’

what I love about this film is that it is unlike anything else you’ll see and it’s unlikely that anybody will be following its twisted lead any time soon. It’s a masterpiece of perverse originality, a truly unique experience of sleaze and horror.

German character actor Dieter Laser plays Dr. Heiter, and the performance is nothing short of brilliant. He has a serpentine look, like an evil Christopher Walken, and he is completely and totally mad. (. . .) Heiter is a completely iconic mad scientist, a horror archetype we see too rarely.

What’s amazing is that Six doesn’t go overboard on the gore and viscera. That stuff is there – there’s a particularly cringe-inducing tooth extraction scene – but what really gets to you is the concept and Laser’s deranged domination of his unholy creation. Six could have gone bigger and wetter, but he understands that sometimes concepts and ideas are more unsettling than graphic visuals.

The Human Centipede (First Sequence) is a dangerous movie. If you think this movie isn’t for you, you’re probably right. This is a movie that assaults your soul and leaves you changed. Or maybe the best way to put it is that The Human Centipede is a movie that leaves you scarred.

Falando em não abusar de gore e vísceras, cato a crítica da revista VICE, cuja autora parecia que queria ver gente comendo merda durante o filme, e parece ser mais confusa e ignorante que eu. Ela pergunta, e já responde negativamente com raiva, se Human centipede é o filme mais chocante de todos os tempos. Coloca na mesma sacola, sem nenhuma noção: Driller Killer, I Spit on Your Grave, O albergue, Cabin Fever, Paranormal Activity, Baise Moi, Cannibal Holocaust e FILMES TRASH DA TROMA. Lamento muito, mas colocar filme da Troma entre possibilidades de filmes que deveriam CHOCAR é invalidar todo e qualquer argumento. Pesquisei rapidamente essa mina no Google, ela não aparenta ser uma ignorante, e parece se meter em coisas bem escrotas, entendo que nada choque ela. Mas acho que ela tá num nível que eu passei: o de me irritar com os filmes porque eu esperava que TUDO fosse aniquilação da alma, por querer imagens horríveis sempre, coisas que beirem o real e destruam meu ser. Mas as coisas não são assim. E não precisam ser. O assassino da furadeira (Driller killer) do Abel Ferrara te fode sim. Não CHOCA, mas te estraga, maltrata, porque é MAU. Cannibal holocaust é um clássico, um filme chato, que se fez muito no marketing e é superestimado, mas que foi pioneiro, e que botou ator pra matar bicho na Amazônia, manchando a História pra sempre. O dia que esse Cabine do medo (é isso?) entrar pra qualquer História, não temos mais universo, nêga. Segura tua onda e DEIXA DE SER TROUXA, pare de acreditar sempre que dizem que tal filme é O chocante da vez. Simples.

Criar expectativas é o vilão, em qualquer situação, todo mundo sabe, e quem as cria somos nós mesmos. E eu falo de expectativas no post orignal, lá em maio: aceite que 3 pessoas estarão com a boca no cu uma da outra, NÃO tem cenas escrotonas, tripas e sangüeira, NÃO é o filme mais chocante do mundo. Se tu cai em marketing, enfia tuas expectativas no cu e ri pro caralho, não vem xingar desconhecidos em seus blogs. MARTYRS sim é uma bosta de filme, Centopéia humana não.

Mais: cult, clássico, filme do ano, termos que independem da qualidade e do gênero da obra. Em nenhum momento eu fiz como muitos tem feito, chamando de “o filme mais doente já feito”, porque não concordo com isso e acho que é coisa de quem não viu muito, além de considerar desonestidade. É ingenuidade como dizer que Vampire girl vs Frankenstein girl é “o filme mais trash do mundo”. Aconteceu, eu ouvi. Inocência das pessoas, ora.

Só acho que as seqüências vão rebaixar o filme. Diz que o projeto é uma trilogia. Azar.

Uns prêmios de 2009, que peguei na Wikipedia:

Best picture at Fantastic Fest, Austin TX and Best Actor (Dieter Laser) in the horror category;
Best Movie at Screamfest LA;
Best Movie at Sainte Maxime International Horror Film Festival;
Best Movie at Ravenna Nightmare Film Festival;
Best Ensemble Cast at South African Horror Film Festival;
Audience award at Haapsalu Horror and Fantasy Film Festival, Estonia

______________________________

*NOTA: encontrei agora uma menção 2 dias anterior a minha. Chato pra mim, porque o cara até cita o cruzamento de Udo Kier com Lance Henrikssen para sair o Dieter Laser. De qualquer modo, no Brasil ainda não achei nada. Essa menção é que me levou a falar do Martyrs agora no finalzinho do post. O cara lá aparentemente gostou do filme francês. Ahahah. Detalhe: eu não coloco nem a pau os dois filmes no mesmo saco, então não faz sentido nenhum dizer “vá rever Mártirs em vez de ver Centopéia humana“, como fez o cara.

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6 Comentários em “6º Fantaspoa – A centopéia humana (2009)”

  1. júlia Says:

    três pessoas. uma come normal e as outras duas ficam comendo cocô do cu das outras.

  2. tiago Says:

    um post sábio.


  3. […] 6º Fantaspoa – A centopéia humana (2009) […]


  4. […] [Leia mais sobre The human centipede (first sequence) aqui] […]


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