Projeto Herzog: My son, my son, what have ye done (2009)

Ever since he came back from Peru he’s been strange. Well, not so much strange, different.

I'm not going to take your vitamin pills. I'm not going to drink your herbal tea. I'm not going to the sweat lodge with an 108-year-old Native American who reads Hustler magazine and smokes Kool cigarettes. I'm not going to discover my boundaries. I am going to stunt my inner growth. I think I shall I become a Muslim. Call me Faruk.

Numa edição extraordinária do Projeto Herzog, um dos mais recentes dele (já tem outros 2 mais recentes para aparecer em breve, a Máquina Herzogante não pára). Registrei no bloguinho, meses atrás, o trailer da obra. Agora ela está aqui. O filme do Herzog produzido pelo David Lynch.

My son, my son, what have ye done trata de um cara que cometeu o matricídio com uma espada, depois de ficar um ano atormentado. Durante uma viagem ao Peru, Brad McCullum (Michael Shannon trimassa) vê Deus. Ouve uma voz que o alerta para que não desça o rio de caiaque com os amigos. Ele não desce, os amigos descem e morrem. A partir de então ele, volta e meia, chama a si mesmo de Faruk. Nos meses mais recentes, deprimido e completamente delirante, diz para a noiva (Ingrid, Chloë Sevigny) que Deus vive na cozinha de sua casa.

Deus.

Casa essa em que Brad vive com sua sufocante mãe, interpretada pela louca mãe da Laura Palmer, Grace Zabriskie. A casa com a maior concentração de objetos de decoração e quinquilharias afins de FLAMINGOS, inclusive dois de carne e osso, McDougal e McNamara.

Eagles in drag.

O filme caminha devagar, meio flutuante, destacado do mundo – onírico, mas não lynchiano -, numa urgência lenta que não nos deixa nervosos, tensos. Não, o Ser vai sendo preenchido aos poucos pelo filme, que lá ficará, porque Herzog é isso. Mas estou divagando, tentando ser poeta. Temos Herzogão retornando ao Peru (eu diria “vide Aguirre”, mas é justamente onde estou parado no Projeto), cenas na China, avestruzes engolindo óculos e tendo-os retirados da goela. Temos curtos travellings embalados pela trilha sonora, que garantem a FLUTUÂNCIA do filme, que é construído com flashbacks a partir dos depoimentos de Ingrid, Lee (Udo Kier, diretor da tragédia grega sobre matricídio que Brad encenaria se não tivesse passado dos limites, aka despirocado. Some people act a role, others play a part. Tipo Herzog dirigindo Kinski.) e as duas vizinhas da casa da frente, onde a mãe é morta.

Razzle them. Dazzle them. Razzle dazzle them.

A marca herzogueana em My son… é muito mais clara do que no hollywoodiano anterior do bávaro, o hilariante Vício frenético (Bad lieutenant: Port of call, New Orleans). Os travellings, as cenas “sem sentido” que valem mais pelo lirismo, as interpretações estranhas, a câmera parada enquadrando personagens por constrangedoramente tempo demais (adoro isso), as locações internacionais e seus autóctones. E, claro, muito mais que no Vício…, agora é a velha premissa do solitário contra o mundo, do cara que não se encaixa e enlouquece, do marginal, outsider obsessivo e obcecado. Algumas outras coisas eu contarei com as imagens.

Sim! Por que não haveria um anão de smoking no filme do Herzog?? É claro que tem. Brad Dourif, o tio Ted de Brad, cria avestruzes. Ele quer que imaginemos um anão montado no menor cavalo do mundo sendo perseguido por um peru gigante, UM BEHEMOTH, ao redor da maior árvore do planeta. Que belo comercial de televisão seria! Daria muita grana. Comercial de quê? Como é que eu vou saber? Mas vai ser demais.

I'm born to preach the gospel.

Can't you see it, Lee? This is the tunnel of time. Woudn't it make a perfect stage for a cosmic melodrama?

Why are the mountains staring at me? Why are the clouds looking upon me? Why is everyone staring at me? Why is the whole world staring at me?

This is my way of bringing Heaven to Earth.

De repente, China.

E Tijuana.

I'm hoping some young future player will find it.

Did you see that, Ingrid, the whole world almost stopped.

I’m just following this inner voice. It feels so good to say goodbye to your things.

Kill me before it happens.

Forget about flamingos. I see ostriches. I see ostriches running.

Baseado num caso real. Bela obra!

VIVA HERZOG!

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2 Comentários em “Projeto Herzog: My son, my son, what have ye done (2009)”

  1. tiago Says:

    bah como cobicei! no entanto, duvido que passe nos cinemas em poa. a não ser, é claro, no fabuloso cine danny rose, que agora conta com uma benfeitoria: uma cadeira do papai (um poltronão que deixa o cara bem patrão).

    • felipe Says:

      ahahahah.
      é, tem que aguardar. na real, pelo que eu entendi, o filme só passou em festivais, aí foi lançado em dvd. mas posso estar muito enganado.


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