Li Nos cumes do desespero, do Cioran

“Tenho mais estima pelo homem de desejos contrariados, desgraçado no amor e desesperançoso, do que pelo sábio gélido, de uma impassibilidade orgulhosa e repugnante. Não consigo conceber um mundo mais antipático do que um mundo de sábios.”

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“Um tal fogo interior me queima e me agitam tormentas tão grandes, que me espanta não explodir de uma vez com esse mundo, num estouro apocalíptico. Sinto como o mundo inteiro treme junto comigo, como arrepios abissais me invadem e como uma exaltação de fim de mundo me domina. Quero que o mundo seja atirado ao ar pela sua própria fatalidade, por uma loucura imanente, contínua e profunda, por um demonismo intrínseco e abandonado, que tudo estremeça como se diante do Juízo Final, que giremos, alucinados, diante da agonia definitiva, da agonia última do universo. Que nada mais encontre razão em si próprio, que tudo se transforme, de súbito, em Nada. E que sorvamos o Nada, presos no turbilhão demoníaco dos instantes derradeiros.”

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