Archive for the ‘literatura’ category

Li Nos cumes do desespero, do Cioran

08/01/2014

“Tenho mais estima pelo homem de desejos contrariados, desgraçado no amor e desesperançoso, do que pelo sábio gélido, de uma impassibilidade orgulhosa e repugnante. Não consigo conceber um mundo mais antipático do que um mundo de sábios.”

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“Um tal fogo interior me queima e me agitam tormentas tão grandes, que me espanta não explodir de uma vez com esse mundo, num estouro apocalíptico. Sinto como o mundo inteiro treme junto comigo, como arrepios abissais me invadem e como uma exaltação de fim de mundo me domina. Quero que o mundo seja atirado ao ar pela sua própria fatalidade, por uma loucura imanente, contínua e profunda, por um demonismo intrínseco e abandonado, que tudo estremeça como se diante do Juízo Final, que giremos, alucinados, diante da agonia definitiva, da agonia última do universo. Que nada mais encontre razão em si próprio, que tudo se transforme, de súbito, em Nada. E que sorvamos o Nada, presos no turbilhão demoníaco dos instantes derradeiros.”

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Li Exercícios de admiração, do Cioran

08/01/2014

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“Os que aderem a um partido pensam se distinguir dos que seguem outro, enquanto todos, desde o momento que escolhem, no fundo se assemelham, participam de uma mesma natureza e se distinguem apenas em aparência, pela máscara que assumem. (. . .) Cada um de nós deve optar por uma não realidade, por um erro, convencidos dele à força, como doentes (. . .) nossas adesões são como sintomas alarmantes.”

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“É o que acontece com as próprias ideias: quanto mais forem formuladas, explícitas, mais sua eficácia diminuirá. Uma ideia clara é uma ideia sem futuro.”

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“(. . .) todas as doutrinas de ação e de combate, com seu aparato e seus esquemas, foram inventadas para dar boa consciência aos homens, para permitir que se odiassem… dignamente, sem cerimônia nem remorso.”

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Sobre o conservador Joseph de Maistre: “Seu pensamento certamente está vivo, mas somente na medida em que choca ou desconcerta; quanto mais o frequentamos, mais pensamos nas delícias do ceticismo ou na urgência de uma apologia da heresia.”

Lendo A dance with dragons, do George R. R. Martin

19/02/2013

“Haggon was weak, afraid of his own power. He died weeping and alone when I ripped his second life from him.” Varamyr had devoured his heart himself. “He taught me much and more, and the last thing I learned from him was the taste of human flesh.” (p. 4)

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The elk went where he would, regardless of the wishes of Meera and Jojen on his back. Mostly he stayed beneath the trees, but where the shore curved away westward he would take the more direct path across the frozen lake, shouldering through snowdrifts taller than Bran as the ice cracked underneath his hooves. Out there the wind was stronger, a cold north wind that howled across the lake, knifed through their layers of wool and leather, and set them all to shivering. When it blew into their faces, it would drive the snow into their eyes and leave them as good as blind.

Hours passed in silence. Ahead, shadows began to steal between the trees, the long fingers of dusk. Dark came early this far north. Bran had come to dread that. Each day seemed shorter than the last, and where the days were cold the nights were bitter cruel. (p. 70)

Li Mãos de cavalo, do Daniel Galera

02/12/2012

“Eu não sabia exatamente o que tava acontecendo, é claro, mas até hoje eu me lembro bem e agora sei que aquilo era sexual. Quando eu era pequeninha eu adorava assistir o Spectreman. Era fascinada. Era alguma coisa com o rosto dele. Aquela cara dura e séria, que era feita de metal, acho. Aquelas lutas com os monstros, ele apanhava, e no final soltava uns raios e vencia, mas a cara era sempre a mesma. Eu ficava excitada. Como ele podia ser tão impassível? Não tinha certeza se aquele rosto era mesmo o rosto do Spectreman ou se por trás da máscara tinha outro rosto. De qualquer forma, eu ficava hipnotizada, e me dava uma coisa, uma ansiedade. Se o rosto dele não mexia ele não devia ter emoções, mas eu sempre sabia quando o Spectreman tava triste, ou com raiva, ou sentindo dor. Era como se só eu soubesse. Eu tinha uma ligação especial com ele.” (p. 145)

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Li Barba ensopada de sangue, do Daniel Galera

28/11/2012

:~

Li A feast for crows, do George R. R. Martin

21/11/2012

His headlong charge brought him right onto her point, and Oathkeeper punched through cloth and mail and leather and more cloth, deep into his bowels and out his back, rasping as it scraped along his spine. His axe fell from limp fingers, and the two of them slammed together, Brienne’s face smashed up against the dog’s headhelm. She felt the cold wet metal against her cheek. Rain ran down the steel in rivers, and when the lightning flashed again she saw pain and fear and rank disbelief through the eye slits. “Sapphires”, she whispered at him, as she gave her blade a hard twist that made him shudder. His weight sagged heavily against her, and all at once it was a corpse that she embraced, there in the black rain. She stepped back and let him fall… (p. 796)

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Lendo A feast for crows, ainda

08/11/2012

His ringmail was old and rusted, worn over a stained jack of boiled leather. Neither the man or his mount showed any heraldry; his shield was so hacked and battered it was hard to say what color paint might once have covered it. With his grim face and deepsink hollow eyes, Ser Ilyn might have passed for death himself… as he have, for years. (p. 561)

 

“I know a little of this man, Sandor Clegane. He was Prince Joffrey’s sworn shield for many a year, and even here we would hear of his deeds, both good and ill. If even half of what we heard was true, this was a bitter, tormented soul, a sinner who mocked both gods and men. He served, but found no pride in service. He fought, but took no joy in victory. He drank, to drown his pain in a sea of wine. He did not love, nor was he loved himself. It was hate that drove him. Though he committed many sins, he never sought forgiveness. Where other men dream of love, or wealth, or glory, this man Sandor Clegane dreamed of slaying his own brother, a sin so terrible it makes me shudder just to speak of it. Yet that was the bread that nourished him, the fuel that kept his fires burning. Ignoble as it was, the hope of seeing his brother’s blood upon his blade was all this sad and angry creature lived for… and even that was taken from him, when Prince Oberyn of Dorne stabbed Ser Gregor with a poisoned spear.” (pp. 669 e 670)


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