Lendo A feast for crows, ainda

Publicado 08/11/2012 por felipe
Categorias: literatura

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His ringmail was old and rusted, worn over a stained jack of boiled leather. Neither the man or his mount showed any heraldry; his shield was so hacked and battered it was hard to say what color paint might once have covered it. With his grim face and deepsink hollow eyes, Ser Ilyn might have passed for death himself… as he have, for years. (p. 561)

 

“I know a little of this man, Sandor Clegane. He was Prince Joffrey’s sworn shield for many a year, and even here we would hear of his deeds, both good and ill. If even half of what we heard was true, this was a bitter, tormented soul, a sinner who mocked both gods and men. He served, but found no pride in service. He fought, but took no joy in victory. He drank, to drown his pain in a sea of wine. He did not love, nor was he loved himself. It was hate that drove him. Though he committed many sins, he never sought forgiveness. Where other men dream of love, or wealth, or glory, this man Sandor Clegane dreamed of slaying his own brother, a sin so terrible it makes me shudder just to speak of it. Yet that was the bread that nourished him, the fuel that kept his fires burning. Ignoble as it was, the hope of seeing his brother’s blood upon his blade was all this sad and angry creature lived for… and even that was taken from him, when Prince Oberyn of Dorne stabbed Ser Gregor with a poisoned spear.” (pp. 669 e 670)

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Lendo: A feast for crows, do George R.R. Martin

Publicado 30/10/2012 por felipe
Categorias: literatura

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“When you smell our candles burning, what does it make you think of, my child?”

 Winterfell, she might have said. I smell snow and smoke and pine needles. I smell the stables. I smell Hodor laughing, and Jon and Robb battling in the yard, and Sansa singing about some stupid lady fair. I smell the crypts where the stone kings sit, I smell hot bread baking, I smell the godswood. I smell my wolf, I smell her fur, almost as if she were still beside me. “I don’t smell anything.”, she said, to see what he would say.

“You lie.”

(pp. 449 e 450)

“It’s just a sword”, she said, aloud this time…

…but it wasn’t.

Needle was Robb and Bran and Rickon, her mother and her father, even Sansa. Needle was Winterfell’s grey walls, and the laughter of its people. Needle was the summer snows, Old Nan’s stories, the heart tree with its red leaves and scary face, the warm earthy smell of the glass gardens, the sound of the north wind rattling the shutters of her room. Needle was Jon Snow’s smile. He used to mess my hair and call me “little sister”, she remembered and suddenly there were tears in her eyes.

(pp. 455 e 456)

Lendo: A feast for crows, do George R.R. Martin

Publicado 15/10/2012 por felipe
Categorias: literatura

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Nine sons had been born from the loins of Quellon Greyjoy, but only four had lived to manhood. That was the way of this cold world, where men fished the sea and dug in the ground and died, whilst women brought forth shortlived children from beds of blood and pain. (p. 29)

Li: História e utopia, do Cioran

Publicado 10/10/2012 por felipe
Categorias: literatura

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O homem ama a tensão, o perpétuo avanço: para onde iria no interior da perfeição? Incapaz para o eterno presente, teme ainda mais sua monotonia, armadilha do paraíso sob sua dupla forma: religiosa e utópica. A história não seria, em última instância, o resultado do nosso medo do tédio, desse medo que sempre nos fará amar o sabor e a novidade do desastre; e preferir qualquer desgraça à estagnação? A obsessão pelo inédito é o princípio destruidor de nossa salvação. Caminhamos para o inferno na medida em que nos afastamos da vida vegetativa, cuja passividade deveria constituir a chave de tudo, a resposta suprema a todas nossas interrogações; mas o horror que ela nos inspira fez de nós essa horda de civilizados, de monstros oniscientes que ignoram o essencial. Consumir-se em câmara lenta, respirar apenas, sofrer dignamente a injustiça de ser, fugir da espera, da opressão da esperança, buscar um meio-termo entre o cadáver e o alento: estamos corrompidos demais para conseguir isso. (p. 118)

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A harmonia, universal ou não, não existiu nem existirá jamais. Quanto à justiça, para considerá-la possível, para simplesmente imaginá-la, seria preciso desfrutar de um dom de cegueira sobrenatural, de uma eleição insólita, de uma graça divina reforçada por uma graça diabólica, e contar, além disso, com um esforço de generosidade do céu e do inferno, esforço, para dizer a verdade, altamente improvável, tanto de um lado quanto do outro. (p. 125)

Lendo: A clash of kings

Publicado 30/05/2012 por felipe
Categorias: literatura

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“Speak the name, and death will come. On the morrow, at the turn of the moon, a year from this day, it will come. A man does not fly like a bird, but one foot moves and then another foot and one day a man is there, and a king dies.” He knelt beside her, so they were face-to-face. “A girl whispers if she fears to speak aloud. Whisper it now. Is it Joffrey?”

Arya put her lips to his ear. “It’s Jaqen H’ghar.”

p. 685

Projeto Herzog: O grande êxtase do entalhador Steiner (1974)

Publicado 07/05/2012 por felipe
Categorias: filmes, Projeto Herzog

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<antes: Projeto Herzog: Aguirre, cólera dos deuses

Herzog fez esse documentário a convite de uma rede de tv alemã, e teve que fazer as vezes de “repórter”. Constitui-se assim a primeira aparição dele diante da câmera. É a primeira vez, também, que ele entra como narrador. E o Herzog enquanto voz, todos sabemos, é tão grande quanto como diretor.

Falar dos filmes da Máquina Herzogante é se repetir: Walter Steiner é um outsider.  Um atleta suíço do salto de esqui que só queria voar. Voar como o corvo que tinha na infância, que adoeceu e, impedido de voar, sofria ataques dos outros corvos. Steiner era tão superior aos outros atletas que aterrissava de seus saltos perigosamente longe demais, quase fora do declive destinado ao pouso, mesmo quando não dava o melhor de si.

Walter Steiner fala dos perigos do esporte e da impossibilidade de parar de praticá-lo, enquanto pesca no gelo com o flagrante sofrimento resignado e tranquilo dos condenados. Werner Herzog faz suas participações com o semblante e o tom de quem noticia a morte de um homem. Ou de todos os homens.

Desrespeito a limites, morte iminente, indivíduo visionário ou simplesmente louco que não consegue evitar a busca da realização de seu sonho ou delírio. Se AO ABISMO poderia ser o título de qualquer filme do Herzog (e poderia), esses termos estariam na sinopse de cada um. E tem também a música do Popol Vuh.

Assista ao documentário, adentre o mundo extremo do esporte (comprometimento, competição, desafio, glória, excelência, dor, desespero e morte) ao estilo Herzog, e aguarde as Olimpíadas de Londres.

I ought to be all alone in the world, just me, Steiner, and no other living thing. No sun, no culture, myself naked on a high rock, no storm, no snow, no banks, no money, no time, no breath. Then, at least, I wouldn’t be afraid. – Werner Herzog, sempre buscando.

VIVA HERZOG!

Projeto Herzog: Aguirre, cólera dos deuses (1972)

Publicado 01/05/2012 por felipe
Categorias: filmes, Projeto Herzog

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<antes: Projeto Herzog: Land of silence and darkness

O negócio começa a ficar sério aqui. Aguirre é o primeiro longa do Herzog com o Klaus Kinski. É o filme mais antigo que costuma figurar em listas que se propõem a apresentar a obra da Máquina Herzogante. Aliás, até que o documentário Homem urso fosse lançado (em 2005!), eram a década de 70 e a parceria com Kinski que costumavam representar o velho Werner.

Minha experiência com Herzog é tardia, foi só em 1999 que tive contato com sua obra, através de um doc dele justamente sobre seus duetos com o lendário Klaus Kinski. Até então o louco Klaus era uma figura mais popular do que o Werner na minha mente. Antes disso creio que tinha um pequeníssimo conhecimento da obra herzogueana, fundamentalmente seus filmes dos anos 7o, tipo Aguirre, Kaspar Hauser e Nosferatu. Conhecimento limitado a: já tinha ouvido falar, sei que esses filmes são desse mesmo cara, mas nunca vi nenhum. Era a época do VHS, não era qualquer locadora que tinha filme europeu à disposição. E eu era um jovem, não tinha grande interesse em ver. Tarkovsky, por exemplo, despertou minha curiosidade antes, inclusive, com a promessa de ter feito um filme, segundo meus pais, impossível de ver até o fim. Isso evidentemente me atraía muito mais do que “tem um diretor alemão que fez esses 3 filmes que eu sei o nome”.

Essas lembranças vagas servem para estabelecer que Werner Herzog já era conhecido e respeitado antes de ser pop, antes da internet, antes de morar em Hollywood, salvar o Joaquin Phoenix, tomar tiro em entrevista. E para reforçar, embora ainda não tenha sido dito, que Aguirre é, de certa forma, o começo do Herzog, ou seja: seu primeiro grande filme que é realmente conhecido pelo cidadão comum (ou pelo cidadão um pouco acima da média, quem sabe). Não falo da “identidade”, do “estilo herzogueano”, de como suas características amadureceram e ficaram mais fáceis de identificar, porque isso já aparece desde o começo, nos curtas, longas e documentários que já foram cobertos no presente Projeto e que, com a minha experiência atual, pude perceber retroativamente e escrever sobre.

Em Aguirre, Herzog retrata mais uma vez o fracasso retumbante que o frustrado solitário conquista depois de começar uma briga que ele não pode vencer. E esse é o coração da obra de Werner Herzog. Ou um deles. O outro é, claro, a natureza.

Uma expedição espanhola pretende conquistar a floresta tropical, evangelizar selvagens, encontrar o lendário El Dorado. Apenas pretende, porque o Herzog começa a nos ensinar: a natureza, linda e horrível, implacável, não pode ser domada. O que parecia o início de um épico sobre as conquistas européias do século 16 logo se revela uma viagem cujo único destino é a destruição.

Além da primeira parceria do Herzog com o Kinski, os músicos alemães progressivos psicodélicos do Popol Vuh fazem sua estreia como metade de outra dobradinha lendária, criando a trilha sonora e elevando a falta de rumo dos conquistadores espanhóis a um outro patamar de perdição. A vastidão do rio e da floresta ganham uma força sinistra, como se a natureza fosse uma fonte geradora de demência, uma existência suprema que absorve todos os outros Seres, obliterando-os. Diz um selvagem: Nesse rio, deus não terminou a Criação.

Porém não. Não tem nenhuma força sinistra, nada de sobrenatural, “roteiristicamente” falando. Não é ficção científica/terror/fantasia. É só uma leva de conquistadores espanhóis com seus índios escravizados se dando mal na cheia do rio da floresta tropical. Uma ideia que tomou de assalto o Herzog e fez com que ele escrevesse um roteiro em 2 dias, que logo foi perdido. É um filme tão à deriva quanto os personagens. Mas um filme do Herzog com Klaus Kinski.

É o início da lenda Herzog, o diretor que não teme nada, que é ameaçado e ameaça de morte, que forja permissões para filmar, que coloca em cena macacos roubados de traficantes de animais e depois liberta os animais na selva. O que a gente vê no filme a gente sabe que aconteceu. Não foram apenas os personagens que tiveram que enfrentar a fúria do rio e da floresta, não houve uma produção que primasse pela precaução, pelo controle da situação. Com Herzog, tudo é de verdade. Até o que não é. E isso torna Aguirre e Herzog especiais. Vamos ao Peru filmar em balsas no rio. A premissa é tal, chegando lá a gente vê o que resulta. Paradoxalmente, a simplicidade da filmagem, o orgânico, o fato de os atores estarem passando realmente pelo que os personagens estão passando proporciona um nível de ficção maior do que se poderia criar com uma produção mais dedicada. Não tem recursos dramáticos e cenas de ação, porque a vida real não tem. Nada do pouco que acontece tem mais peso do que o acontecimento anterior ou que o acontecimento fundamental que é a vida, que é estar perdido e sem chance. Eu não sou intelectual, não tenho bases para expôr essa dicotomia entre o real e a ficção, de forma a mostrar que a verdadeira ficção é a realidade, que a realidade é mais ficcional que a ficção. Mas creio que por aí resida o conceito de ECSTATIC TRUTH do Herzog. O êxtase da verdade. Herzog diz que os fatos não são suficientes para mostrar a realidade. Mas isso é viagem demais para algo que não sei explicar. Retomo o texto. Por outro lado, o filme parece estar dentro de uma bolha, de uma redoma, mostra um universo onde é impossível construir alguma coisa, ter êxito. COMO SE a selva fosse um triângulo das Bermudas. Nesse ponto, há sobrenaturalidade digna de ficção científica. Notas de um ignorante. Masturbe-se você com CRÍTICAS CINEMATOGRÁFICAS de quem estudou. Procura na internet.

Aguirre é um lindo exercício teatral que o Herzog passou para o Klaus Kinski fazer. Herzog diz que o que ele aprendeu com Kinski, não aprendeu com mais ninguém. Investiu na histeria dele para produzir. Ainda jovem, na primeira vez que Werner viu Klaus, descobriu que seu destino era fazer filmes para o homem atuar. Dez anos depois, com Fitzcarraldo, tudo isso se repete e intensifica, virando um documentário (Burden of dreams (1982), de Les Blank, o cara que filmou a lenda bávara comendo seu próprio sapato em 1980). Lope de Aguirre, o traidor visionário sedento por poder e fama só poderia ser criado e suportado por Herzog e Kinski, por ninguém mais. Enquanto todos morrem e macaquinhos tomam conta da balsa, Aguirre  planeja o seu império, pensa na dinastia pura que iniciará casando com sua própria filha, que é apenas mais uma das vítimas das flechas dos selvagens amazônicos. Megalomania e loucura de mais um pobre coitado sozinho no mundo.

E como um bom herzog, em alguns momentos a câmera é atraída pelo que há de interessante nos locais de filmagem, tendo isso a ver com a história ou não. E geralmente não tem. Como o próprio Werner vai nos mostrar ao longo de sua carreira, tem coisas que são mais interessantes do que aquilo que está no roteiro. Sejam essas coisas galinhas canibais, jacarés albinos, uma história sobre um encontro com um esquilo.

Aqui, apenas um peruano e uma lepidoptera. Anos depois, em Meu melhor inimigo (1999), o doc sobre a relação de Herzog com Kinski, repete-se a cena. A inimaginável interação entre o insano e eterno Kinski e a frágil e efêmera borboleta, nas filmagens de Fitzcarraldo (1982).

À deriva como Flores, filha de Aguirre, a atriz Cecilia Rivera fora do personagem e dentro do filme. Herzog.

Ainda como um bom herzog, comédia.

Desenganado e delirante, ele nega a existência das flechas.

Referência sem nenhum sentido à saga islandesa de Grettir. Herzog ri muito quando fala disso.

Enquanto Hollywood filma épicos, Werner Herzog vai ao Peru filmar com Klaus Kinski. Nas palavras dele: humilhação, noites de insônia. Não se calcula um filme desses em termos financeiros.

VIVA HERZOG!

Projeto Herzog: O grande êxtase do entalhador Steiner: depois>


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